Vai ter greve dos caminhoneiros? Veja o que dizem os líderes da categoria

Protesto contra a derrota de Jair Bolsonaro nas urnas três dias após o segundo turno (REUTERS/Mariana Greif)
Protesto contra a derrota de Jair Bolsonaro nas urnas três dias após o segundo turno

(REUTERS/Mariana Greif)

  • Informação sobre greve geral dos caminhoneiros marcada para hoje (18) circula na internet;

  • Reação seria contra a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF;

  • Sindicatos e líderes, no entanto, afirmam que a categoria não apoia os atos antidemocráticos.

Circula nas redes sociais a informação de que caminhoneiros de todo o Brasil vão entrar em greve nesta sexta-feira (18). O movimento teria se articulado como uma reação contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que pediu o bloqueio de 43 contas bancárias de pessoas e empresas supostamente ligadas aos atos golpistas que questionam o resultado das eleições.

Até às 13h20, a hashtag #caminhoneiros teve mais de 40 mil menções no Twitter, se tornando um dos assuntos mais comentados na plataforma. Nas publicações de apoio à paralisação, há frases como “Alexandre travou as contas bancárias e nós vamos travar o país” e apoio ao golpe militar.

Vai ter greve?

Apesar dos posts afirmarem que toda a categoria está unida, sindicatos e líderes não confirmam a informação.

Segundo o presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), Wallace Landim, conhecido como Chorão, os caminhoneiros respeitam “que a maioria [da população] decidiu pela volta do ex-presidente Lula” no segundo turno das eleições e não participam “desses atos antidemocráticos”.

“A gente já fez esse levantamento, não tem lideranças do segmento que estão fazendo parte disso”, afirma. “O que tem são algumas pessoas extremistas, intervencionistas, mas é um grupo pequeno. É uma parcela dos caminhoneiros que apoia o presidente Jair Bolsonaro e os atos antidemocráticos”.

Chorão ainda defende que parte do profissionais tem “sido obrigada a parar” porque trabalha em empresas que “são contra a democracia”. Ele destaca que dificilmente os autônomos estão envolvidos e que o nome dos caminhoneiros tem sido usado por golpistas.

O representante do Sindicato dos Rodoviários junto aos motoristas do BRT, Ademir Francisco, concedeu um posicionamento semelhante. Ele aponta que os caminhoneiros “não concordam com os movimentos” que tentam insuflar na categoria.

“Não prosperará, são grupos pequenos”, diz. “Acreditamos que a Justiça e os poderes competentes logo identificarão esse grupo e cercearão esses atos golpistas [...] Uma vez que se bate de frente com a democracia, consideramos essas ações criminosas”.

O Yahoo Notícias também entrou em contato com o Sindicam-SP (Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado de São Paulo), que confirmou que não apoia os movimentos antidemocráticos.

Vale apenas destacar que, apesar da categoria dos caminhoneiros informar que não está liderando os atos, bolsonaristas que não concordam com o resultado das eleições voltaram a realizar bloqueios em rodovias federais. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), há seis bloqueios totais e um parcial nesta sexta-feira (18).