Vaias a Romário expõem briga pelo posto de candidato bolsonarista ao Senado no Rio; entenda

Acostumado a ser o centro das atenções quando entrava em campo, Romário (PL) vive uma situação inusitada em sua tentativa de reeleição ao Senado: apesar de liderar as pesquisas de intenção de votos, o correligionário do presidente Jair Bolsonaro se vê escanteado em detrimento de outros nomes mais radicais da direita que tentam o Congresso. Na convenção do PL, realizada no último domingo, o senador chegou a ser vaiado quando foi anunciada a sua chegada ao palco, enquanto o deputado federal Daniel Silveira (PTB) foi recebido como estrela pela claque bolsonarista. Clarissa Garotinho (União Brasil), que tenta se associar ao presidente para impulsionar seus votos, também foi convidada ao palco, enquanto alguns eleitores seguem defendendo uma candidatura do ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) ao cargo. Nem mesmo o fato de ser do mesmo partido que o presidente garantiu a Romário a exclusividade no palanque.

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Ele, que sequer foi citado pelo presidente em seu discurso, se diz tranquilo quanto às vaias e à presença de nomes de outros partidos que tentam o mesmo posto. Sobre ainda não ter recebido o apoio expresso de Bolsonaro, Romário diz acreditar que o pedido por votos virá na hora certa: "O presidente precisa ter consciência da importância dessa manifestação e da minha lealdade. Votei com o governo em 92% das oportunidades", diz o senador, que admite o crescimento da antipatia bolsonarista por não se posicionar em relação às chamadas "pautas de costumes" e não colecionar atos radicais, como os ataques de Daniel Silveira aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a defesa ao Ato Institucional nº 5 (AI-5), que o fizeram ser condenado a 8 anos e 9 meses de prisão, pelo inquérito das Fakes News.

Também pesaria contra o ex-jogador o descompasso com o governo em votações tidas como prioritárias, como o posicionamento quanto ao decreto do Executivo que facilitava a aquisição e o porte de armas para várias categorias profissionais no país. Em uma sessão polarizada, o texto acabou derrotado por 47 votos a 28. Romário foi um dos nomes que, apesar de compor a base, votou contra. Isolado pelo bolsonarismo "raiz", o ex-jogador trocou as agendas com o chefe do Executivo por "peladas" e jogos de futevôlei com políticos de cidades do interior do estado e da Baixada Fluminense.

— Eu respeito todos os outros candidatos ao Senado, mas é importante lembrar que sigo líder das pesquisas. Quanto ao fato de ser vaiado, ofendido, isso não é novidade. Fui jogador e nunca me intimidei ou baixei a cabeça. No dia da votação, muitas dessas pessoas que estão me vaiando vão me escolher nas urnas. Alguns bolsonaristas mais radicais cobram algumas atitudes minhas, mas isso não invalida a minha lealdade ao presidente. Bolsonaro sabe da minha fidelidade, do meu alinhamento em 92% da votações — afirma.

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Quanto à falta de posicionamentos de Bolsonaro, que é seu correligionário, Romário diz acreditar que a manifestação de apoio será feita em breve e que outros nomes que disputam o Senado não terão o mesmo endosso.

— Sabemos da importância desse apoio expresso. Bolsonaro precisa ter consciência disso. Sou o candidato do PL, antes de tudo, lutamos pelos mesmos ideais. Ele vai fazer este pedido. Ficaria muito feliz — reconhece.

Clarissa e Silveira ganham espaço

Mesmo sem ter certeza quanto à sua elegibilidade, Silveira foi apresentado na convenção do PL como candidato ao Senado pelo PTB e recebido com festa pela militância bolsonarista. Beneficiado por um indulto de Bolsonaro, na interpretação de juristas, ele seguiria inelegível, já que esta foi uma das sanções aprovadas pelo STF. Sem citar Romário, ele afirma que a simpatia do eleitorado bolsonarista se deve aos seus posicionamentos e diz que aqueles que não se mostram conservadores serão preteridos.

— O bolsonarista percebeu que é necessário eleger quem lute pela sua liberdade. As palmas a mim eram uma sonora vaia ao STF. O voto do Bolsonaro é conservador, é ideológico. Não basta se dizer bolsonarista, é necessário se mostrar alinhado. É isso o que fiz e outros não fizeram. As manifestações estão aí — alfineta.

Confirmada candidata ao Senado na última semana pelo União Brasil, Clarissa Garotinho não perdeu tempo e ocupou espaço na primeira fila do palco ao lado de Bolsonaro. Em uma série de postagens nas suas redes sociais, ela enalteceu o vínculo com o presidente. A candidata que corre por fora na disputa acredita que o presidente não vai se posicionar por nenhum dos nomes que se dizem alinhados a ele.

— Foi importante estar no evento, ao lado do nome do partido do presidente (Romário) para ter a certeza de que não sou a única que o apóia, nem que é apoiada por ele. Este evento consolidou o atrelamento das campanhas ao bolsonarismo e deixaram claro que não é apenas um nome.

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