Valdemar articula carta branca no PL e reabre caminho para filiar Bolsonaro

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, articulou nesta quarta-feira (17) uma carta branca do partido para poder negociar a filiação de Jair Bolsonaro e reabriu a estrada para a adesão do mandatário à sigla.

Uma reunião com a presença de todos os dirigentes estaduais do PL deu respaldo ao dirigente para rever acordos que estavam sendo feitos com partidos nos estados, principal obstáculo para a filiação do chefe do Executivo.

"O Partido Liberal está pronto e alinhado para receber o presidente da República, Jair Bolsonaro, em todos os estados", divulgou a sigla, em nota. O partido acrescentou que Valdemar "tem carta branca para conduzir e decidir sobre a sucessão presidencial e a filiação" do mandatário.

Bolsonaro chegou a anunciar, na semana passada, que estava 99% fechado com o PL. Depois, viajou para Dubai e, de lá, a sua filiação, que ocorreria no próximo dia 22, foi adiada por divergências em palanques estaduais.

O encontro de dirigentes do PL serviu como um gesto para o chefe do Executivo de que o partido está disposto a ceder em estados prioritários como São Paulo.

Entretanto, integrantes do PL reconhecem que, apesar da decisão desta quarta, os palanques estaduais de outras regiões do país, como no Nordeste, só serão de fato definidos no próximo ano, caso a caso.

Ou seja, ainda não descartam que, mais à frente, estados possam rejeitar apoio a Bolsonaro ou mesmo se aliar ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Com relação a São Paulo, Valdemar antecipou à coluna Painel, da Folha de S.Paulo, que terá de discutir o apoio do partido ao vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB-SP), que quer entrar na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes em 2022.

A pessoas próximas o presidente do PL indicou que fará em São Paulo o que for necessário para que Bolsonaro entre no partido.

O apoio da sigla a Garcia, próximo do governador João Doria (PSDB), é um dos principais entraves para a filiação de Bolsonaro no PL, conforme o próprio afirmou em Dubai.

Segundo integrantes da legenda, o apoio ao vice-governador paulista teria sido articulado por deputados estaduais que fazem parte da base do governo em São Paulo. Entretanto, até mesmo os deputados federais do PL agora desejam rever o acordo.

O próprio Valdemar tem colocado em xeque a viabilidade eleitoral de Garcia.

Pesquisa Datafolha de setembro, por exemplo, mostra o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) à frente da corrida pelo estado, com 26% das intenções de voto, em um cenário sem Garcia.

Em seguida está Fernando Haddad (PT), numericamente em segundo, com 17%.

Numa sondagem sem o nome Alckmin, que prepara sua saída do PSDB, Haddad lidera com 23% e o atual vice-governador de São Paulo pontua 5%, em quarto lugar.

Considerado um palanque prioritário, Bolsonaro tem dito que quer lançar o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, para o Palácio dos Bandeirantes.

O ministro da Infraestrutura, no entanto, indica preferir ser candidato ao Senado, por Goiás ou Mato Grosso, preferencialmente, vaga para a qual tem mais chances de ser eleito.

Após o encontro, o senador​ Wellington Fagundes (PL-MT) reconheceu a possibilidade de lançamento do nome de Tarcísio ao governo paulista.

O senador por Mato Grosso ainda disse que "dificilmente" a sigla estará com partidos de esquerda, mas que cada região será analisada por Valdemar com Bolsonaro.

"É muito claro: caso a caso. O partido autorizou o presidente Valdemar. E, claro, o presidente Valdemar nunca tomou decisões isoladas. Todas as vezes foram consultadas. Estado por estado e município por município", afirmou.

O senador Jorginho Mello (PL-SC), vice-líder do governo no Senado, foi mais incisivo ao afirmar que o partido está alinhado no apoio a Bolsonaro.

"O partido está dando ao presidente Valdemar carta branca para acertar com o presidente Bolsonaro todas as arestas e possibilidades que tenha em qualquer canto do Brasil", disse Mello.

Ainda que os dois sejam apoiadores de Bolsonaro, a carta branca teve o respaldo de todos os dirigentes estaduais. A entrada do mandatário na sigla enfrentava resistência ainda no Piauí, no Ceará, no Alagoas e em Pernambuco.

Na saída da reunião, o presidente do PL em Pernambuco e prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, disse que "o partido está muito alinhado para receber bem o presidente Bolsonaro".

Segundo ele, o partido está organizando uma chapa no estado para se contrapor à do atual governo, de Paulo Câmara (PSB-PE), que tem o apoio do PT.

Na sexta-feira (12), o PL publicou uma nota oficial no site do partido na qual dava plena autonomia para Ferreira conduzir a escolha de "nomes que constarão na chapa de candidatos majoritários e proporcionais".

A principal resistência à filiação de Bolsonaro hoje no partido é do vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM). Depois da reunião desta tarde, Ramos disse que não vai se precipitar a respeito de uma eventual saída da legenda, se for oficializada a filiação do mandatário.

"Vou aguardar voltar ao Brasil para tratar com o presidente Valdemar, que merece todo o meu respeito. Só tenho uma certeza: respeito qualquer decisão do partido, mas não estarei no palanque de Bolsonaro", disse Ramos, que está em Barcelona (Espanha).

O cálculo de Valdemar é pragmático. O dirigente tem como objetivo fortalecer as bancadas na Câmara e no Senado e se posicionar em 2023 como uma força política incontornável —independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto.

Nesta semana, a um interlocutor, ele usou como exemplo a votação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, que teve 1 milhão de votos. Valdemar afirmou que não abrirá mão desse potencial eleitoral e da chance de ampliar a bancada.

Hoje o PL tem 43 deputados. Com a chegada de Bolsonaro, Valdemar quer alcançar uma bancada de no mínimo 65 parlamentares.

Eleger o maior número de deputados, além de fortalecer o partido no Congresso, garante uma maior fatia do fundo eleitoral.

Embora o PL tenha feito gestos importantes para atrair o presidente, Bolsonaro diz que conversa com outras siglas.

A cúpula do PP ainda não desistiu de atrair o mandatário. Nas últimas semanas, o chefe do Executivo oscilou entre os dois partidos.

Depois que Bolsonaro indicou que poderia rever a filiação ao PL, o PP reforçou a investida sobre o presidente e ofereceu novos acordos, como a possibilidade de o mandatário definir a chapa em São Paulo.

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