Valdemar conversa com ministro do Supremo e diz confiar em urnas

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), conversou na segunda-feira com Valdemar Costa Neto, presidente do PL, partido de Jair Bolsonaro, sobre um suposto relatório a respeito das urnas eletrônicas que seria apresentado pela legenda ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira.

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Na conversa, segundo o GLOBO apurou, o ex-deputado federal contrariou a ala mais radical da sigla e manifestou confiança nas urnas eletrônicas. Disse ainda estar desconfortável com a pressão interna de bolsonaristas da legenda para que o documento fosse encaminhado.

De acordo com relatos feitos à reportagem por interlocutores do STF, Valdemar teria dito ao decano da Corte que a iniciativa de apresentar o documento elaborado por técnicos contratados pelo partido é uma tentativa de não desagradar a militância bolsonarista dentro do partido, que conta com pelo menos 50 deputados. Numa maneira de se distanciar da iniciativa, porém, o presidente do PL teria dito não acreditar que o envio do relatório ao TSE terá qualquer resultado prático.

Não é a primeira vez que Valdemar contraria nos bastidores a ala do PL ligada a Bolsonaro. Em 2021, em meio a um movimento no Congresso sobre o voto impresso, bandeira dos bolsonaristas, Valdemar atuou como um dos principais articuladores para que a proposta fosse rejeitada.

Um documento preliminar produzido pelo Instituto Voto Legal, empresa contratada pelo partido, e divulgado por parlamentares da sigla na semana passada, usa termos técnicos para levantar suspeitas sobre as urnas. O próprio PL, contudo, negou que o relatório tivesse aval da sigla e que uma auditoria contratada pela legenda ainda estava "em andamento".

Reservadamente, ministros do STF veem na iniciativa de apresentar o documento à Corte eleitoral uma tentativa de manter a mobilização dos manifestantes entrincheirados em frente a quartéis em todo o país.

Integrantes da Corte ouvidos pelo GLOBO, porém, veem como um "tiro no pé" apontar inconsistências nas urnas no segundo turno uma vez que o candidato do bolsonarismo em São Paulo, Tarcísio Freitas, ganhou o governo do estado com ampla margem.

Interlocutores do PL que mantém contato com ministros do Supremo relataram ainda que o advogado Tarcísio Vieira de Carvalho, que defendeu Bolsonaro na campanha, teria demonstrado resistência em assinar o documento que será entregue ao TSE. Por isso, o relatório contará com a firma de Marcelo Bessa, advogado criminalista que defendeu Valdemar no caso do mensalão.

Ainda segundo relatos de quem acompanhou as conversas entre integrantes do PL e do STF, Bolsonaro não acreditava de forma alguma que seria derrotado. Por isso, exige que o documento elaborado pelo Instituto Voto Legal seja protocolado junto ao TSE.