Vale é única empresa da América Latina avaliada em mais de US$ 100 bi. Veja lista das mais valiosas

Vitor da Costa
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RIO — A Vale superou a marca dos US$ 100 bilhões em valor de mercado, fortalecendo a sua posição como a empresa de capital aberto mais valiosa da América Latina. É a única companhia da região a bater a marca, segundo levantamento da Economatica.

Assim, a mineradora ampliou a distância para o conglomerado argentino Mercado Livre, segundo colocado no ranking. De acordo com especialistas, a empresa é favorecida pelo aumento do preço do minério de ferro no mundo.

O levantamento foi feito a pedido do jornal Valor Econômico e passado também ao GLOBO. A Vale fechou o pregão de terça-feira - data da compilação dos dados - avaliada na Bolsa em US$ 103,8 bilhões (cerca de R$ 565 bilhões).

No dia seguinte, os papéis ordinários da companhia (VALE3) fecharam com alta de 1,63%. Hoje, eles subiam 0,10%, negociados a R$112,03.

A Vale tomou a liderança no ranking regional em 23 de fevereiro. Na última terça, seu valor de mercado superava em mais de US$ 20 bilhões o do Mercado Livre, avaliado em US$ 80 bilhões. Entre as empresas cinco mais valiosas, estavam o WalMart México (US$ 56 bilhões), a Petrobras (US$ 56 bilhões) e a America Movil (US$ 49 bilhões).

A Vale já desponta como a mais valiosa da Bolsa brasileira, sendo uma das que mais influenciam o patamar de pontos do Ibovespa. Seu valor de mercado é quase o dobro da Petrobras. Itaú Unibanco, Ambev e Bradesco completam, nessa ordem, as cinco maiores empresas brasileiras em valor de mercado da B3.

Para o analista de Research da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, a mineradora soube se reestruturar internamente, após os desastres de Mariana e Brumadinho, o que gera um impacto positivo nos resultados.

— A companhia precisou se reorganizar desde a parte da governança. Na parte operacional, ela soube direcionar sua produção para extrair um prêmio melhor. Você tem todo um trabalho de organização e planejamento para que mesmo em um trimestre difícil como o último, a companhia obtivesse resultados positivos — ressalta.

Alta do minério e salto nas ações

O desempenho positivo da empresa é resultado do salto do preço do minério de ferro, seu principal produto de exportação e que se aproxima da marca dos US$ 200 por tonelada.

Além disso, o impulso é justificado pela forte geração de caixa e poucas dívidas no balanço, apesar dos episódios com as barragens. Isso facilita a distribuição de dividendos para os acionistas e programas de recompra de ações.

A companhia foi a empresa brasileira que mais distribuiu dividendos em 2020 no Brasil.

Quando ocorreu o rompimento da barragem, em Brumadinho, as ações da mineradora chegaram a cair par a casa dos R$38, muito distante da atual realidade. Só em 2021, os papéis já se valorizam em mais de 31,42%.

Em fevereiro deste ano, a empresa e o governo de Minas Gerais chegaram a um acordo de R$ 37,6 bilhões para compensar os danos da tragédia.

— A Vale é uma das maiores fornecedoras de minério de ferro de alta qualidade do mundo. Ela tem uma estrutura de logística fantástica e uma boa estrutura de capital. A China está apresentando sinais de retomada da economia e, por conta da poluição, os chineses estão demandando mais minério de ferro de alta qualidade, como os da Vale — destaca o analista de investimento da Mirae Asset, Pedro Galdi.

Nesta segunda-feira, a empresa anunciou um balanço positivo do primeiro trimestre de 2021. O lucro teve um salto de 2.200% se comparado ao mesmo período do ano passado, chegando ao patamar de US$ 5,546 bilhões.

No entanto, para os analistas, o desempenho refletiu mais os preços do minério do que propriamente o volume produzido e vendido. Ainda assim, os dados são positivos e ajudaram a fortalecer os papéis da companhia.

— Por mais que nesse primeiro trimestre ela tenha vendido um volume menor, isso foi mais compensado pela alta nos preços do minério e do dólar em relação ao real — explica Galdi.

O momento é tão positivo que o presidente da companhia, Eduardo Bartolomeo, afirmou que existe a possibilidade de a Vale fazer uma cisão de sua unidade de metais básicos, o que poderia resultar em uma oferta pública inicial de ações (IPO) na Bolsa dessa nova empresa.

O spin-off é avaliado em meio ao processo de transição energética do mercado, ancorado sobretudo na demanda por insumos para a fabricação de baterias para carros elétricos.

— Se isso for feito a empresa deve crescer ainda mais. Isso separaria cobre e aqueles metais que estão mais relacionados com à indústria automobilística e na outra ponta, ficaria o minério de ferro — avalia Galdi.

Espaço para crescer

Para os analistas, ainda há espaço para novos ganhos para a mineradora. Isso porque, o cenário global deve continuar positivo para as commodities, com as demandas por esses produtos ainda em alta, especialmente com a retomada econômica.

Além disso, o preço da mineradora continua barato, se comparado com empresas estrangeiras que atuam no mesmo setor, o que pode atrair investidores. Nesse sentido, ainda pesam os fatores internos do Brasil, onde o cenário fiscal preocupa.

— O cenário continua muito confortável, desde que novos desastres como Brumadinho e Mariana não ocorram. A Vale ainda está barata, se comparada às empresas australianas, por exemplo – disse Galdi, destacando que vale a pena para os investidores ter os ativos da mineradora na carteira.