Vale cortará 10% de sua produção de ferro para eliminar barragens

Socorrista busca por vítimas em meio à lama de rejeitos que vazou da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho, 28 de janeiro de 2019

A Vale vai paralisar a operação de cerca de dez barragens no Brasil, com um corte anual de 40 milhões de toneladas em sua produção de minério de ferro para eliminar as estruturas como a que causou a tragédia da última sexta-feira em Minas Gerais, informou nesta terça-feira (29) a companhia.

Esse corte representa cerca de 10% da produção anual da Vale, disse o presidente da mineradora, Fábio Schvartsman, em uma coletiva de imprensa em Brasília, após se reunir com os ministros de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

O processo será concluído em três anos e vai demandar um investimento de aproximadamente 5 bilhões de reais, acrescentou o executivo ao apresentar o plano, quatro dias após o rompimento da barragem em Brumadinho, que segundo o último balanço provisório deixou 84 mortos e 276 desaparecidos.

Segundo Schvartsman, o plano é definitivo e drástico, uma resposta à altura da tragédia de Brumadinho.

A barragem à montante é do mesmo modelo que a rompida em Mariana, em novembro de 2015, deixando 19 mortos e a maior catástrofe ambiental do país.

Segundo a empresa, havia inicialmente 19 represas desse tipo em Minas Gerais e nove delas já foram desativadas. As outras dez não eram usadas em processos produtivos, mas ainda podem conter resíduos ou água.

Schvartsman ressaltou que os laudos internacionais "demonstram a segurança dessas represas".

Segundo o presidente da Vale, os laudos de auditorias recentes afirmam que todas as estruturas estão em perfeita estabilidade, mas que a empresa opta por agir de forma diferente.

"Resolvemos não aceitar apenas esses laudos e decidimos agir de outra maneira".

As obras afetarão 5.000 trabalhadores, que, segundo ele, serão absorvidos na planilha de 80.000 empregados da empresa.