Vale denuncia 'violência' em fábrica de níquel da Nova Caledônia; governo do território cai

·2 minuto de leitura
Manifestação em Noumea, no território francês de ultramar de Nova Caledônia, em 12 de dezembro de 2020, para protestar contra a venda da usina de níquel da Vale a um grupo suíço

O grupo brasileiro Vale denunciou nesta terça-feira (2) a violência contra infraestruturas e funcionários em sua usina de níquel na Nova Caledônia, cuja possível compra por um consórcio com a suíça Trafigura provoca a hostilidade entre os independentistas.

Também nesta terça-feira, o governo colegiado de Nova Caledônia caiu após a renúncia dos membros separatistas do Executivo, contrários à venda da usina.

"A violência que sofremos é intolerável e deve parar imediatamente", afirma a direção da Vale-NC em um comunicado, que cita agressões e atos de destruição na usina nos últimos dois meses.

A Vale já denunciou incêndios em áreas, máquinas e veículos, além de ameaças a funcionários e terceirizados. A empresa calcula que os danos alcançam 19 milhões de dólares.

Um trabalhador "foi atingido na cabeça com uma barra de ferro", cita o comunicado.

A empresa também afirma que, na semana passada, "os agressores não hesitaram em utilizar armas de fogo contra os policiais que tentaram evitar a invasão da mina" e a atirar contra os drones de vigilância utilizados para prevenir danos.

A usina metalúrgica está parada desde 10 de dezembro, após um ataque com caminhões cometido por opositores à compra da unidade por um consórcio internacional e caledônio que conta com a presença da gigante Trafigura.

Liderado pelo partido FLNKS, o movimento independentista da Nova Caledônia se opõe categoricamente e denuncia uma "operação de saque e especulação de multinacionais". Vários protestos foram organizados nos últimos meses.

A oferta com a Trafigura, que atualmente é a única sobre a mesa, tem o apoio do Estado e da província sul, liderada pelos não independentistas. O negócio pode ser concluído em 12 de fevereiro.

Nesta terça-feira, o governo colegiado do território caiu após a renúncia dos independentistas que integravam o Executivo.

Os independentistas do FLNKS têm cinco dos 11 postos do Executivo da Nova Caledônia. A renúncia do grupo provocou a queda de fato do governo colegiado.

Um novo governo deve ser eleito em um prazo de 15 dias.

Como uma das razões para sua decisão, o FLNKS mencionou o processo de venda da usina da Vale, assim como o atraso na votação do orçamento original da ilha, adiado para março.

A queda do governo da Nova Caledônia aconteceu quatro meses depois de um referendo de independência celebrado em outubro. A consulta foi vencida por pequena margem pelo movimento pró-França (53,3%), o que exacerbou as tensões entre as comunidades.

O terceiro e último referendo do processo de descolonização pode acontecer em 2022.

Arquipélago francês de 270.000 habitantes no Pacífico Sul, colonizado em 1853, a Nova Caledônia é parcialmente autônoma. Continua sendo estratégica por suas grandes reservas de níquel.

cw/ob/erl/lda/fp/tt