Vale estuda cisão da unidade de metais básicos, que poderia resultar em IPO

Glauce Cavalcanti
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RIO - A Vale estuda fazer uma cisão de sua unidade de metais básicos, que poderia resultar em uma oferta pública inicial de ações (IPO), afirmou o presidente da companhia, Eduardo Bartolomeo, na manhã desta terça-feira. O spin-off da operação está sendo avaliado em meio ao processo de transição energética de mercado, ancorado sobretudo na demanda por insumos para a fabricação de baterias para carros elétricos. A decisão, porém, não está tomada.

— Sempre olhamos as opções ao nosso alcance. Já havia uma discrepância de valor desde o ano passado, de não percepção de valor de metais básicos dentro da Vale. A gente começou a analisar — afirmou Eduardo Bartolomeo, presidente da Vale, em teleconferência sobre o resultado de cerca de R$ 30 bilhões da mineradora no primeiro trimestre.

Ele explicou que a empresa poderia fazer uma reorganização de ativos, como forma de alavancar os negócios, o que já vem sendo realizado.

Nesse sentido, destacou a venda da Vale Nova Caledônia, de níquel, concluída no fim de março, o que vai deixar de abocanhar parte do Ebitda da companhia já a partir deste segundo trimestre. Além do acordo para a aquisição da fatia da Mitsui na mina de carvão de Moatize em Moçambique. A mineradora planeja se desfazer da operação de carvão.

Bartolomeo acredita que a mineradora encerra 2021 cumprindo a meta de produção de minério de ferro, que é de 315 milhões a 335 milhões de toneladas. Atualmente, o volume já indica chegar a 327 milhões de toneladas, segundo Marcelo Spinelli, vice-presidente de ferrosos.

— Começamos bem 2021, como esperado. Tivemos o maior Ebitda (indicador de caixa) para o primeiro trimestre da história da companhia. Temos segurança de atingir nosso guide de produção do ano. Estamos progredindo na estabilização da produção — comentou Bartolomeo em teleconferência com analistas realizada na manhã desta terça-feira.

No primeiro trimestre deste ano, o lucro da mineradora alcançou US$ 5,5 bilhões, ou perto de R$ 30 bilhões. Um salto na comparação com o resultado positivo em US$ 239 milhões de janeiro a março de 2020 ainda sob impacto da tragédia na mina de Córrego do Feijão ocorrida um ano antes.

O cumprimento da meta vem com a reativação e a ampliação da produção em unidades da companhia. A produção de minério de ferro avançou 14,2% nos três primeiros meses do ano, para 68 mil de toneladas, na comparação com igual período de 2020. Na receita, porém, o resultado dobrou, para US$ 12,6 bilhões impulsionado também pela alta no preço da commodity no mercado internacional.

Bartolomeo afirmou que a Vale está determinada a reparar integralmente os danos causados pela tragédia de Brumadinho, ressaltando a assinatura do acordo de reparação assinado em fevereiro. Uma das frentes de trabalho avançando com consistência, destacou ele, é a de segurança hídrica, que inclui a construção de uma adutora na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Além de acordos de indenizações fechados com mais de dez mil pessoas.

Desde o início do ano, quatro barragens da Vale saíram do nível de emergência. A estimativa é que outras quatro saiam dessa classificação de risco até o fim de 2021.

Entre as operações financeiras e com ativos, ele destacou a recompra de ações como “o melhor investimento para a companhia”. No início de abril, a Vale anunciou que vai recomprar o equivalente a 5,3% do total de ações da mineradora em circulação, num programa a ser executado em até 12 meses.

— Acreditamos ser o melhor investimento para nossa companhia. Não compromete o pagamento de dividendos, vai ajudar a reduzir riscos e a maximizar o retorno para nossos acionistas — pontuou o executivo.