Vale lidera ranking de empresas que mais pagaram dividendos em 2020. Veja lista

Vitor da Costa
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RIO — Mesmo com as dificuldades impostas pela pandemia, muitas empresas repassaram lucros para seus acionistas em 2020. Entre elas, destaque para a Vale e para os bancos, como Itaú e Santander. Só no ano passado, a mineradora repassou mais de R$18,7 bilhões, número bem acima da média do mercado. É o que mostra um levantamento da Economatica com 246 companhias.

Oito empresas atingiram, no ano de 2020, o maior valor distribuído em dividendos e juros de capital próprio (JCP’s), outra forma de remuneração, da década.

São elas: Vale, Santander BR, B3, CPFL Energia, Tim, Taesa, Copasa e Cyrela Realt. Somente o Bradesco registra o menor volume de distribuição em 2020, na comparação com o distribuído nos últimos dez anos.

Na amostra das 20 maiores pagadoras, os setores de bancos e energia elétrica possuem quatro empresas cada. Alimentos e bebidas possui três companhias e as áreas de petróleo e gás e telecomunicações, duas. Outros cinco setores possuem uma empresa como representantes.

Dividendos em 2020

Veja a lista das maiores pagadoras de dividendos em R$ bilhões.

1º: Vale - R$ 18,708,9532º: Itaú Unibanco - R$ 12,058.0003º: Santander BR - R$ 10,211.0844º: Ambev S/A - R$ 6,850.2715º: Petrobras – R$ 6,657.0006º: Banco do Brasil – R$ 6,70.6577º: Telef Brasil – R$ 5,259.3678º: B3 – R$ 3, 884.4229º: Eletrobras – R$ 2, 593. 94510º: CPFL Energia – R$ 2,116.37911º: JBS – R$ 1,444.66812º: Bradesco: R$ 1, 432.13013º: Marfrig: R$ 1,283. 40514º: Engie Brasil: R$ 1,240.91815º: Tim: R$ 1,153.05416º: Comgas: R$ 1,135.66917º: Taesa: R$ 1,106.18218º: Copasa: R$ 1, 044.98219º: Cyrela Realt: R$ 1,018.06120º: CCR SA: R$ 0,986

Vale tem alta nos repasses

Em 2019, a Vale havia distribuído R$ 695 milhões em dividendos. Para o sócio da Inove Investimentos, Rafael Antunes, o salto em 2020 reflete o aumento das receitas da companhia e um cenário global de poucos projetos sendo tocados, ainda em decorrência das restrições impostas pela Covid-19.

— O setor de mineração demanda investimento constante e uma produção cada vez maior. Mas estamos em um período sem grandes projetos de mineração em escala global. Então, o que ela gera de caixa pode distribuir. É o que chamamos de dividendo de valor. A receita cresceu, com a alta do minério de ferro também. E, sem grandes projetos para dividir, ela pôde pagar dividendos.

O levantamento da Economatica tem dados disponíveis de 2011 a 2020. Nesse período, há uma oscilação ao longo dos anos, com alternância de períodos com maiores e menores repasses.

Como o valor distribuído pela Vale foi muito grande em 2020, a consultoria retirou os dados da mineradora da comparação de longo prazo. Nesta base de comparação, ou seja, sem os números da Vale, o volume distribuído em dividendos e JCP’s foi de R$ 91,3 bilhões em 2020.

O valor é 29,3% inferior aos R$ 129,1 bilhões registrados em 2019. A queda ocorreu, sobretudo, pela diminuição em 47,7% do repasse dos bancos.

O ano de 2019 é justamente o de maior distribuição da série. O pior momento foi em 2016, quando foram repassados R$ 66,9 bilhões para os acionistas. O levantamento de longo prazo tem valores nominais, ou seja, não corrigidos pela inflação.

Pandemia fez empresas 'queimarem' caixa

Para o gerente de relacionamento institucional da Economatica, Einar Rivero, a queda em 2020 é reflexo da pandemia, fazendo com que muitas empresas priorizassem o reforço de caixa.

— Muitas delas decidiram utilizar esse dinheiro como caixa para enfrentar a pandemia. Então, o volume acabou caindo. Os bancos, por exemplo, decidiram fazer a distribuição de apenas 25% do valor.

Rivero destaca que, em sua maior parte, os recursos distribuídos em 2020 dizem respeito aos lucros do ano anterior. Ele ainda não faz perspectivas para esse ano, devido às particularidades de cada setor.

Na mesma linha, Antunes, da Inove Investimentos, destaca que muitas empresas não conseguem operar por vários meses sem lucro, necessitando de um reforço no caixa:

— As de capital aberto, que têm maior acesso ao mercado de capitais, ainda conseguem emitir dívidas via debêntures, e fazer follow-ons (oferta de ações feitas por empresas de capital aberto).

Bancos à frente

O setor de bancos sempre esteve na liderança de distribuição durante a década. O quadro se manteve mesmo com a queda registrada em 2020. As áreas de energia elétrica, alimentos e bebidas e mineração se alternam na segunda posição.

Em 2020, oito dos 27 setores analisados registram crescimento nos repasses com relação ao ano anterior. Outros oito apresentam mais de 50% de redução entre esses anos. O destaque negativo vai para o químico, com queda de 83,6%.

Entre as áreas que registraram o maior patamar de dividendos e JCP’s distribuídos na década, em 2020, estão as de mineração, seguradoras e corretoras de seguros, construção, commodities e máquinas industriais.

Para Rivero, as oscilações ao longo da década refletem as instabilidades políticas e econômicas do país.

— Toda a parte macroeconômica e política acabam influenciando nesse resultado. Os lucros caem e isso faz com que o repasse de dividendos também reduza.