Vale poderá vender até 10% de seu negócio de metais básicos

Logo da Vale em unidade do Brasil

(Reuters) -A mineradora Vale busca atrair um parceiro que ficará com fatia de até 10% de seu negócio de metais básicos, e pode ter um acordo realizado durante o primeiro semestre de 2023, disse o vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores​, Gustavo Pimenta, nesta quarta-feira.

A negociação ocorre enquanto a Vale trabalha para aprimorar a gestão desses ativos e gerar mais valor, tendo em vista a demanda esperada por níquel e cobre para a produção de baterias, afirmaram nesta quarta-feira executivos da companhia durante evento com investidores em Nova York.

A empresa prevê ainda que a divisão seja gerida por um conselho de administração, cujo modelo também poderá ser detalhado no primeiro semestre de 2023. A Vale ficaria com os 90% restantes e teria controle sobre as decisões na unidade.

"Mudaremos a maneira como gerenciamos os metais básicos. Buscamos trazer pessoas com capacidade para assessorar o conselho nas decisões de investimento", disse ele a repórteres após a reunião.

O principal objetivo é que o parceiro agregue conhecimento e contribua para acelerar a transição da unidade que estará mais conectada às demandas da indústria de baterias, ressaltou Pimenta.

A possível venda da fatia não visa principalmente levantar recursos, frisaram executivos. Eles não falaram sobre estimativas de quanto a Vale pode obter com a transação.

O movimento visa posicionar melhor a Vale diante das boas perspectivas de crescimento de demanda por níquel e cobre para a fabricação de baterias para carros elétricos, em meio a buscas globais por descarbonização.

"Estamos procurando um parceiro que possa acrescentar à história, que possa elevar o perfil ESG, alguém com conhecimento do setor, são os elementos. Não é a questão financeira... não precisamos. Seria uma empresa que aceleraria essa transição, essa é uma jornada de valor de mercado para longo prazo", disse Pimenta.

O presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo, adicionou que a companhia está em condições de escolher o sócio ideal. Mas, se isso não for possível, seguirá sozinha com seus projetos.

A vice-presidente executiva de Metais Básicos, Deshnee Naidoo, pontuou durante a apresentação que já estão trabalhando no desenvolvimento de projetos importantes na área de metais básicos.

Segundo ela, a companhia iniciou na semana passada a operação do projeto Salobo 3, com investimentos de 1,1 bilhão de dólares, que prevê agregar capacidade de produzir de 30 mil a 40 mil toneladas de cobre, montante que deverá ser alcançado no quarto trimestre de 2024.

(Por Marta Nogueira no Rio de Janeiro e Marcelo Teixeira em Nova York)