Vale recorre de decisão que determinou R$ 1 milhão de danos morais a famílias de cada trabalhador morto em Brumadinho

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RIO — A Vale entrou com recurso no Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT) nesta segunda-feira, dia 5, após uma decisão judicial determinar que ela pagasse indenização de R$ 1 milhão por danos morais à família de cada trabalhador morto no rompimento de barragem em Brumadinho do dia 25 de janeiro de 2019. No documento, a empresa descreveu a quantia por vítima como um "absurdo importe" e um "injustificado valor" que causa "grave prejuízo à ré".

O valor total da condenação foi de R$ 150 milhões, mas a mineradora também pediu uma redução, sugerindo R$ 120 milhões. A decisão da primeira instância, tomada pela juíza Viviane Celia Ferreira Ramos Correa, da 5ª Vara do TRT de Betim (MG), pode beneficiar a família de 131 das 270 vítimas.

O advogado Maximiliano Garcez, que representa o Sindicato Metabase Brumadinho, autor da ação, destacou que a tentativa da Vale em diminuir a indenização "demonstra profunda insensibilidade". Ele comparou o valor determinado pela Justiça do Trabalho com a receita da empresa e afirmou que a soma a ser paga representa apenas cerca de 9 horas de lucro.

— Chega a ser constrangedor discutir esse argumento (apresentado pela Vale no recurso) — acrescentou Garcez. — Nossa expectativa é que o TRT confirme a decisão (de primeira instância). O que o sindicato quer, além da indenização aos familiares das vítimas, é impedir novas tragédias e acabar com essa lógica de que vale a pena matar no Brasil. Que essas vidas não sejam completamente em vão.

A ação foi movida pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Brumadinho e Região (Sindicato METABASE Brumadinho). Ela se refere somente aos empregados diretos da Vale que morreram no rompimento da barragem, já que o sindicato não representa os trabalhadores terceirizados.

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