Lucro da Vale cai 18,7% no 3º tri por impacto do preço do minério de ferro

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RIO DE JANEIRO (Reuters) - A mineradora Vale registrou lucro líquido de 4,455 bilhões de dólares no terceiro trimestre, queda de 18,7% versus o mesmo período do ano passado, com impacto do recuo dos preços do minério de ferro, seu principal produto, publicou a companhia nesta quinta-feira.

O valor superou de estimativas de analistas compiladas pela Refinitiv, que apontou lucro líquido de 2,754 bilhões de dólares no período.

O resultado líquido no período, no entanto, teve a contribuição da parte financeira, com a reclassificação de variação cambial acumulada de 1,543 bilhão de dólares no patrimônio líquido, devido a redução de capital de subsidiária integral no exterior.

Dessa forma, o lucro líquido subiu 8,8% ante o segundo trimestre.

O preço médio de finos de minério de ferro realizado pela Vale entre julho e setembro foi de 92,6 dólares por tonelada, com recuo da demanda chinesa, contra 127,2 dólares um ano antes e 113,3 dólares no trimestre anterior.

O preço do minério de ferro da Vale recuou 27,2% no terceiro trimestre, na comparação anual. Na bolsa chinesa de Dalian, a commodity ficou baixo do nível de suporte de 90 dólares/tonelada nesta quinta-feira, com a queda nos lucros industriais, problemas no setor imobiliário e restrições por Covid-19 pesando no mercado.

O preço de níquel da Vale, por sua vez, contribuiu positivamente na comparação anual, tendo registrado 21,7 mil dólares por tonelada, ante 18,2 mil dólares um ano antes. No segundo trimestre, a média havia sido de 26,2 mil dólares.

A alta dos preços de níquel ocorre justamente em meio a uma recuperação da produção de metais básicos pela empresa, enquanto estuda iniciativas para destravar valor da unidade.

"Nosso desempenho operacional no trimestre foi sólido em todo o nosso portfólio, com a produção de minério de ferro atingindo 90 milhões de toneladas e os volumes de níquel e cobre aumentando consideravelmente", afirmou o CEO da Vale, Eduardo Bartolomeo, no relatório.

"Enquanto o mundo enfrenta crescentes pressões inflacionárias, continuamos focados na disciplina de custos e na melhoria da confiabilidade operacional."

Bartolomeo destacou ainda que a produção de níquel da empresa em Sudbury, no Canadá, atingiu o maior nível em um trimestre desde o primeiro trimestre do ano passado.

"Também avançamos no aumento do fornecimento do nosso níquel de baixo carbono e outros minerais essenciais para a transição energética. Entregamos com sucesso a primeira fase do Projeto Copper Cliff Complex South Mine, que quase dobrará a produção na Mina de Copper Cliff", destacou.

BARRAGENS E DÍVIDA

Do lado da segurança operacional, Bartolomeo destacou ter cumprido o compromisso de descaracterizar cinco barragens este ano, totalizando 12 estruturas até o momento, 40% do programa previsto. "Estamos cumprindo com os nossos compromissos para uma companhia mais segura e confiável", frisou.

O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado das operações continuadas somou 3,67 bilhões de dólares entre julho e setembro, queda de 47% na comparação anual.

A receita líquida de vendas da Vale somou 9,9 bilhões de dólares no terceiro trimestre, ante 12,33 bilhões de dólares no mesmo período de 2021 e 11,2 bilhões de dólares no segundo trimestre.

Os investimentos da companhia somaram 1,230 bilhão de dólares, incluindo investimentos de crescimento e manutenção, uma queda de 63 milhões de dólares ante o segundo trimestre, principalmente, devido ao menor desembolso no projeto solar Sol do Cerrado devido às entregas de equipamento no último trimestre.

Já a dívida líquida expandida aumentou em 797 milhões de dólares ante o segundo trimestre para 13,3 bilhões de dólares, após uma revisão de seu conceito para melhor alinhamento às práticas de mercado, segundo a companhia.

A revisão foi para excluir os compromissos operacionais e regulatórios, mas mantendo a meta de alavancagem de 10-20 bilhões de dólares, pontuou a empresa.

O aumento da dívida foi parcialmente compensado pelo efeito não caixa positivo da depreciação do real nas provisões de Brumadinho, descaracterização de barragens e Samarco & Renova.

(Por Marta Nogueira e Peter Frontini)