Vale vende siderúrgica do Pecém por US$ 2,2 bi e deixa setor de aço

A mineradora Vale anunciou que fechou a venda da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), no Ceará, para a gigante do aço Arcellor Mittal por US$ 2,2 bilhões. Com o negócio, que ainda depende de aprovação do Cade, o órgão antitruste brasileiro, a Vale deixa o setor siderúrgico.

O acordo inclui a venda das fatias das sócias da Vale no empreendimento, as sul-coreanas Posco e Dongkuk. Os recursos, segundo a mineradora, serão utilizados para o pagamento antecipado do saldo da dívida líquida da CSP, de aproximadamente US$ 2,3 bilhões.

A siderúrgica de Pecém integra um pacote de siderúrgicas que receberam investimentos da Vale na gestão de Roger Agnelli, falecido em 2016, e que teve forte apoio do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A ideia na época era diversificar os negócios, criar mercado para o minério da Vale e, por tabela, atender a pressão do governo para que o país usasse o minério para processar produtos de maior valor, promovendo o desenvolvimento e criando empregos.

Inicialmente, seriam quatro usinas, mas apenas duas foram adiante: a CSP e a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), erguida em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio.

'Simplificação de portfólio'

Com o fim do boom das commodities, a Vale passou a se desfazer de vários ativos, incluindo as siderúrgicas. A empresa vendeu sua fatia na CSA para a alemã ThyssenKrupp em 2016.

A siderúrgica do Pecém é uma joint-venture entre a Vale (50%), Dongkuk (30%) e Posco (20%) e tem capacidade instalada de três milhões de toneladas de placas de aço por ano.

Ela tem acesso ao Porto de Pecém, localizado a 10 quilômetros da usina e opera dentro da primeira Zona de Processamento de Exportação do Brasil, sendo beneficiada por incentivos fiscais.

"Esta transação reforça a estratégia da Vale de simplificação de portfólio, com foco nos principais negócios e oportunidades de crescimento, pautados pela alocação de capital disciplinada", disse a Vale sobre a venda da CSP em nota.

Hub de hidrogênio verde

Para a ArcelorMittal, a maior siderúrgica do mundo, a aquisição traz benefícios estratégicos, como o potencial de ampliar a posição da empresa na indústria do aço brasileira. De acordo com a companhia, o negócio lhe permitirá "capitalizar o investimento planejado de terceiros para formar um hub de eletricidade limpa e de hidrogênio verde em Pecém".

O estado do Ceará pretende desenvolver um centro de produção de hidrogênio verde de baixo custo no complexo portuário.

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