Vale volta a estudar IPO de divisão de metais básicos, diz executivo

NICOLA PAMPLONA
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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Vale retomou estudos para separar suas operações de metais básicos com possibilidade de lançamento de ações de uma nova companhia em Bolsa de Valores. O presidente da companhia, Eduardo Bartolomeo, disse, porém, que ainda não há decisão tomada.

A separação das atividades de minério de ferro das de metais básicos já foi discutida pela mineradora em meados dos anos 2010, mas a proposta não evoluiu. Agora, com a perspectiva de crescimento da demanda por esses metais para a produção de carros elétricos, a alternativa volta a ser analisada.

"Sempre olhamos as opções que estão ao nosso alcance", disse o executivo em conferência telefônica com analistas nesta terça (27) para detalhar o lucro recorde de R$ 30,5 bilhões registrado no primeiro trimestre de 2021. "Claro que olhamos a opção [de separar] base metals [metais básicos]."

A Vale é a maior produtora global de níquel e tem operações também em cobre e cobalto, minerais fundamentais para a produção de baterias para a indústria automotiva. Bartolomeo diz que a posição da mineradora nessa frente é uma vantagem.

"A gente nos vê, de fato, como uma das poucas empresas ESG [sigla para classificar companhias com preocupação ambiental, social e de governança], verde e com portfólio muito grande de produtos ligados ao carro elétrico", afirmou.

A capacidade global de produção desses metais é vista pela indústria automobilística como um dos gargalos para o crescimento da demanda. Em julho de 2020, o presidente-executivo da Tesla, Elon Musk, fez apelo às mineradoras globais para ampliar a produção.

"A Tesla lhes dará um contrato gigante por um longo período se vocês produzirem níquel de maneira eficiente e ambientalmente correta", afirmou.

No primeiro trimestre, a Vale produziu 76,5 mil toneladas de cobre, 48,5 mil toneladas de níquel e 714 toneladas de cobalto. A empresa tem operações nesses segmentos no Brasil, no Canadá e na Indonésia. Sua entrada no negócio de níquel se deu por meio da aquisição da canadense Inco, em 2006.

Embora tenha porte global, o negócio de metais básicos representa apenas uma fração dos ganhos da Vale com minério de ferro, seu principal produto. No primeiro trimestre, aqueles garantiram à empresa R$ 5,5 bilhões em Ebitda, indicador que mede a geração de caixa. Já o minério rendeu R$ 42,8 bilhões.

Bartolomeo diz que o olhar da administração da companhia para os metais básicos tem dois focos: um é o rearranjo das operações e outro, o aumento da produtividade dos ativos hoje em operação.

No fim de março, a Vale vendeu uma produtora de níquel em Nova Caledônia, território francês no Oceano Pacífico, a empresa formada por executivos e trabalhadores que prestavam serviços a suas operações no local em parceria com a trading Trafigura.

"A gente tem que trabalhar nas fundações do negócio e estar pronto para as opcionalidades do negócio. As fundações são os projetos, que são importantíssimos se formos fazer um IPO [sigla para oferta inicial de ações]", comentou.

A administração da companhia considera que, com a retomada de minas suspensas após a tragédia de Brumadinho e o acordo com o governo de Minas Gerais para bancar a reparação dos danos, conseguiu reduzir os riscos sobre suas operações de minério de ferro.

Com a escalada das cotações internacionais, vem garantindo uma geração de caixa superior à estimada, o que motivou o anúncio, em abril, de recompra de até 5,3% de suas ações, sem prejuízo à promessa de distribuir elevados dividendos a seus acionistas.

Os altos preços do minério levaram a empresa a decidir ampliar a produção na região Centro-Oeste, área com custos logísticos mais elevados do que as operações no Pará e em Minas Gerais.

A piora na pandemia, porém, ainda é vista como um risco, principalmente sobre os cronogramas de manutenções e projetos de investimento que demandam a mobilização de grande número de pessoas. "A pandemia da Covid tem avançado no Brasil de forma indesejável", afirmou Bartolomeo.

A empresa diz que ainda não sofreu impactos nas atividades de produção, mas a contaminação vem retardando obras em suas unidades. Atualmente, cerca de 25% dos funcionários da mineradora trabalham em home office.