Valeixo afirma que Bolsonaro queria diretor-geral da PF com ‘mais afinidade’

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Em depoimento prestado na manhã desta segunda-feira, o ex-diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo afirmou aos investigadores que o presidente Jair Bolsonaro gostaria de ter um diretor-geral da corporação com quem tivesse “mais afinidade” e que por isso Bolsonaro teria decidido demiti-lo.

Valeixo presta depoimento a investigadores da PF e da Procuradoria-Geral da República desde as 10h da manhã, no inquérito que apura supostas interferências indevidas de Bolsonaro na Polícia Federal, aberto após as declarações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro. O ex-diretor-geral é ouvido na Superintendência da PF em Curitiba, onde passa férias após sua saída do cargo.

O depoimento teve uma pausa para o lanche, por volta das 14h30, e foi retomado em seguida. Até as 16h15, ainda não havia terminado.

Segundo fontes que acompanham o depoimento, Valeixo relatou que o presidente desejava ter um diretor-geral da PF que fosse de sua confiança, por isso a decisão pela exoneração.

O inquérito investiga a possível ocorrência de crimes por parte de Bolsonaro (advocacia administrativa, obstrução de Justiça e falsidade ideológica, por exemplo) e por parte de Moro (denunciação caluniosa).

Ainda nesta segunda-feira ocorrem, em Brasília, os depoimentos de Alexandre Ramagem, nome indicado por Bolsonaro para comandar a PF no lugar de Valeixo mas que foi barrado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, e Ricardo Saadi, ex-superintendente da PF no Rio que foi alvo de pressões públicas do presidente em agosto do ano passado. Os depoimentos de Ramagem e Saadi começaram por volta das 15h, na sede da PF em Brasília