Valentina Sampaio fala sobre namorado italiano e preconceito

Eduardo Vanini
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Depois de passar o fim de ano com a família em Fortaleza, a modelo Valentina Sampaio se prepara agora para retomar, na Itália, a agenda internacional. Mas, além dos compromissos profissionais, quando aterrissar por lá, ela também vai matar a saudade do namorado, com quem está há seis anos. Ele é advogado, italiano, tem 36 anos, e os dois se conheceram em Fortaleza, onde o rapaz praticava kitesurf. Mais do que isso ela não fala. Tampouco adianta vasculhar o Instagram em busca de fotos. “Não gosto de expor a minha vida pessoal. Pode ver que a minha família não aparece no meu feed”, diz a jovem, que tem 416 mil seguidores.

Viver uma relação estável e duradoura nem sempre é fácil para pessoas trans. Ela própria já passou por situações que a magoaram bastante. “Nunca fui muito de sair. Nas poucas vezes em que isso aconteceu, o cara chegava, paquerava, mas quando percebia que eu era trans, se afastava. Depois, por trás, escondido, procurava novamente. Sempre pensei que não merecia ser tratada dessa maneira. O homem, para estar comigo, precisa ser seguro da sua masculinidade.”

Valentina comenta sobre o tema com uma fala serena, marcada por pequenas pausas que lhe ajudam a escolher as palavras certas. A postura revela a força e o equilíbrio adquiridos ainda na infância, quando entendeu que a sua existência seria cercada de questionamentos. Por crescer num vilarejo onde todos se conheciam, ela afirma não ter sofrido violência, salvo episódios de bullying em que era chamada de “bichinha” e reprimendas do tipo “fale direito”, “ande desse jeito”. “É muito ruim receber advertências por ser quem você é. Sempre me identifiquei como Valentina. Mas chega um ponto em que a sociedade começa a falar que você é diferente, mesmo que não se sinta assim. Entendi, desde cedo, como precisava ser forte. Eu era uma criança, mas tive que amadurecer cem anos em dez.”

Nada disso, porém, impediu a modelo de ir longe na carreira. Ela é hoje um marco na mudança de postura de grifes de moda como a própria Victoria’s Secret, que perpetuou, ao longo de anos, padrões hegemônicos de corpo e beleza, em campanhas restritas a mulheres cisgênero. “Não queremos que as coisas acabem. Almejamos espaço para todo o mundo, seja na Victoria’s Secret, na Prada ou em qualquer outra plataforma”, afirma a moça, ao falar sobre suas conquistas na reportagem completa.

Também foi a primeira a aparecer na capa da "Vogue Paris", além de trabalhar com grandes marcas internacionais. A jovem, porém, vive tudo isso sem tirar os pés do chão. “As pessoas, às vezes, imaginam que somos perfeitas. Sou como qualquer outra. Gosto dessa coisa de ser mais natural, desprendida, sem isso de estar sempre maquiada e pronta. Aprecio esse estilo de vida pé no chão.”