"Não precisamos mais viver escondidas", diz Valentina Sampaio, primeira trans da Victoria's Secret

A modelo Valentina Sampaio é a primeira trans a posar para a Victoria's Secret (Foto: Reprodução/Instagram@valentts)

Trabalhar para a Victoria's Secret é o sonho de muitas modelos. Com um histórico de grandes nomes - que vão de Gisele Bündchen à Tyra Banks -, a marca é uma queridinha das tops mundo afora. Para Valentina Sampaio não foi diferente. Mas posar para grife de lingerie tem um peso diferente para ela: Valentina é a primeira trans a fazer parte do casting da marca.

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Nascida em uma vila de pescadores no interior do Ceará, ela saiu da pequena Aquiraz para conquistar o mundo. Já foi embaixadora da L'Oréal, bateu recorde de desfiles na sua temporada de estreia no Brasil e foi capa de uma das revistas de moda mais importantes do mundo, a ‘Vogue Paris’.

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E, mesmo com uma carreira já tão brilhante, Valentina tinha ambições. Trabalhar com VS, por exemplo, era uma delas. "Sempre foi um sonho! Assistia os desfiles e admirava. Aprendi com a minha mãe a nunca desistir dos meus sonhos, e foi isso que me moveu a lutar e a seguir adiante. A caminhada não foi fácil, mas nunca desisti. E foi assim que estou realizando, um a um", diz ela ao Yahoo.

O processo, realmente, não foi simples. Para fazer parte do catálogo da linha PINK da marca, ela primeiro participou de um casting virtual, com um vídeo-teste. Depois, fez uma entrevista por Skype e só então recebeu a boa notícia de que tinha conseguido uma vaga no time. As fotos foram feitas em Nova York (EUA), em junho deste ano.

Moda e diversidade: respeito na passarela

Além da vitória profissional, Valentina também entende o quanto essa é uma conquista muito maior do que o seu portfólio, ainda mais quando se vê representada em uma marca conhecida por defender, até então, os padrões de beleza comuns.

"Acredito que estamos vivendo novos tempos. É um processo de evolução. Hoje, estamos conquistando novos espaços e não precisamos mais viver escondidas (transexuais). Estamos nas capas das revistas, na TV e agora na Victoria’s Secret. O antigo 'padrão' abriu espaço para a diversidade. Enxergo essa conquista com muito otimismo e alegria. É uma vitória para todas nós trans e também para a sociedade em geral".

Para ela, estar em um ambiente que antes era tão pouco representativo é algo positivo para todos. O Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo - foram 167 mortes entre setembro de 2017 e 2018, segundo a ONG Transgender Europe -, e ter essas pessoas representadas em ambientes antes tão limitados e limitantes inclui o assunto na sociedade, tornando-o mais presente e aceito.

"Conquistar novos espaços e ter a oportunidade de mostrar meu trabalho é uma forma muito importante de luta contra o preconceito", diz ela.

Aliás, a luta não para por aí. Por mais que Valentina tenha sonhos profissionais - que temos certeza que serão conquistados -, ela entende que ainda há um caminho para percorrer, principalmente quando se fala de moda e representatividade.

Nós lutamos para sermos respeitadas simplesmente por sermos quem somos. Somos seres humanos antes de qualquer outra questão, e merecemos respeito e espaço. Ainda somos alvo de preconceito e precisamos evoluir para entendermos a lidar com a diversidade e respeitá-la

Para a modelo, a comunidade é muitas vezes marginalizada por falta de empatia. Os pré-conceitos sobre transgêneros impedem que as pessoas se coloquem em seus lugares, entendam as suas dificuldades e trabalharem colaborativamente para melhorar a convivência de todos."Respeito é a coisa mais bonita que se pode dar a alguém", reflete.

Valentina acredita que a moda tem feito o seu papel ao abraçar a diversidade, apesar de ainda precisar crescer bastante. Mesmo assim, o futuro lhe parece bastante promissor: "Espero que as oportunidades sejam cada vez maiores e que todas possam ter seu espaço respeitado".