Valesca Popozuda relembra assédios no início da carreira: "Sempre me coloquei, gritei"

Por Felipe Abílio

Valesca Popozuda tem histórias para contar. Um dos principais nomes do funk brasileiro, a carioca foi uma das primeiras mulheres do movimento. Idealizadora do Gaiola das Popozudas, grupo de funk de mulheres formado lá nos anos 2000, Valesca relembra o início da carreira e as barreiras que enfrentou para ser levada a sério pelos contratantes. Convidada do Yahoo Entrevista desta semana, a cantora conta que sair de situações de assédio era comum quando o funk era dominado por homens.

"Nada é fácil até hoje. Tudo é muito complicado ainda, mas lá atrás era pior. Eram muitos meninos, muito mais MC's do que mulheres. Aquela parada do “Não é não” era bem pior. De um contratante entrar no camarim, botar o pênis para fora e falar: 'vem aqui que eu te quero!'. Diziam que eu tinha que ir porque estava com aquela roupa curta. Hoje existe o respeito. Naquela época era difícil e você tinha que se impor", relembra.

Sempre muito articulada, Valesca relembra que jamais abaixou a cabeça nesse tipo de situação, lutando pelos direitos da liberdade da mulher desde o início.

"Não tive medo disso. Sempre me coloquei, falei e gritei. Sempre disse para a mulher que ela tinha que ser respeitada, tinha que se sentir respeitada, mesmo se tiver vontade de fazer isso ou aquilo. Hoje falo que tenho fãs homens que me respeitam, tanto as mulheres, quanto os homens."

Voltando aos anos 2000, Valesca conta que, para se adequar ao mercado, precisou aprender a cantar por conta da pressão dos contratantes.

"Eu gostava de dançar, queria dançar dentro da gaiola, ficava de cabeça para baixo. Não tinha sonho nenhum de cantar, aconteceu. Foi muito difícil porque não gostava de cantar."

Valesca conta que só se deu conta do desafio que estava vivendo ao perceber que poderia mudar a realidade que vivia através da música.

"Tinha um poder na minha mão, de falar o que eu pensava, de poder levantar a autoestima da mulher. Quando vi que eu tinha o poder de levantar essa bandeira, eu me realizei junto delas. Deus parou e falou: 'Você tem um poder de voz. Você vai levar a voz pra essas mulheres'".

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