Valor do aluguel cai 0,61% em 2021, aponta novo índice da FGV

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*ARQUIVO* São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019: Cédulas de real. Papel Moeda. Dinheiro. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)
*ARQUIVO* São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019: Cédulas de real. Papel Moeda. Dinheiro. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Os preços de contratos de aluguéis residenciais recuaram 0,61% no acumulado de 2021. É o que aponta um indicador lançado nesta terça-feira (11) pelo FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

Trata-se do Ivar (Índice de Variação de Aluguéis Residenciais), que avalia dados de quatro capitais no país --São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.

O novo indicador, diz o FGV Ibre, busca preencher uma lacuna do mercado imobiliário. O Ivar mede a evolução dos preços negociados em contratos entre inquilinos e proprietários, e não os valores de anúncios de aluguéis, como em outras pesquisas.

Conforme o economista André Braz, coordenador dos índices de preços do FGV Ibre, a variação negativa de 0,61% no ano passado reflete principalmente as renegociações feitas entre inquilinos e proprietários na pandemia.

Com a crise gerada pela pandemia, houve queda na renda do trabalho e aumento do desemprego. Assim, inquilinos buscaram renegociar contratos antigos ou tentaram reduzir os valores fixados inicialmente por novos aluguéis, sinaliza Braz.

"Essa é a parte reveladora do Ivar. De fato, houve a renegociação", diz o economista.

A pesquisa analisa cerca de 10 mil contratos por mês assinados nas quatro capitais, sob intermediação de empresas administradoras de imóveis. Os dados englobam tanto novos acordos quanto reajustes de locações já existentes.

Enquanto o Ivar teve queda no acumulado de 2021, o aluguel residencial no IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal), também calculado pelo FGV Ibre, subiu 4,45% no mesmo período.

O contraste, segundo Braz, é explicado por diferenças amostrais e metodológicas. O IPC-S espelha a variação de anúncios de aluguel em sete cidades. Já o Ivar olha para os contratos negociados em quatro capitais.

"A grande novidade [do Ivar] é a fonte de informação. O novo índice não é baseado em anúncios de aluguéis. É baseado em valores efetivos", comenta o pesquisador do FGV Ibre Paulo Picchetti, responsável pela metodologia do Ivar.

No recorte mensal, o novo indicador subiu 0,66% em dezembro de 2021. Houve desaceleração frente à taxa registrada no mês anterior, de 0,79%.

Entre novembro e dezembro, a taxa de variação mensal do Ivar desacelerou em São Paulo (de 0,78% para 0,48%) e Rio de Janeiro (de 1,46% para 1,03%).

Enquanto isso, Belo Horizonte (de 1% para 1,17%) e Porto Alegre (de 0,27% para 0,43%) tiveram aceleração de preços no mesmo período.

No acumulado de 12 meses, a pesquisa aponta que São Paulo registrou queda de 1,83% nos valores de aluguel residencial até dezembro. Porto Alegre também acumulou redução no ano, de 0,35%.

Por outro lado, a maior variação interanual foi verificada com Belo Horizonte, com alta de 1,46%. O Rio de Janeiro veio na sequência, com elevação de 0,46%.

Durante a pandemia, outro índice calculado pelo FGV Ibre, o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), teve disparada no Brasil. O indicador acumulou alta de 17,78% nos 12 meses de 2021.

Por servir muitas vezes como referência para reajustes de contratos de locação, o IGP-M ficou conhecido como inflação do aluguel. Porém, devido à escalada na crise, tem sido substituído em parte dos contratos.

O IGP-M mede os preços de itens diversos ao longo da cadeia produtiva --de matérias-primas agrícolas e industriais, passando pela construção, até serviços e bens finais para o consumidor.

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