Valor de contratos da Precisa com o governo cresce 6.000% com Bolsonaro

·3 minuto de leitura
Servidor do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, e seu irmão, deputado Luis Miranda, em depoimento à CPI da Covid no Senado
Irmãos Miranda denunciaram "pressão" pela compra da Covaxin no Ministério da Saúde e citaram Ricardo Barros como responsável pelo esquema (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • Valor de contratos da Precisa com o governo cresce 6.000% com Bolsonaro

  • Desde 2019, empresa no centro das denúncias envolvendo a compra da Covaxin fechou acordos que somam R$ 1,67 bilhão

  • Flávio Bolsonaro também intermediou reunião do dono da Precisa com presidente do BNDES

A Precisa Medicamentos, empresa que negociou a compra da vacina Covaxin, teve um salto em seus negócios durante o governo do presidente Jair Bolsonaro. Desde 2019, a Precisa fechou ou intermediou acordos que somam R$ 1,67 bilhão com o Ministério da Saúde. 

Até então, a firma havia assinado apenas um contrato, de R$ 27,4 milhões para fornecer preservativos femininos ao Ministério da Saúde. Na época, o atual líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), era ministro da Saúde, no governo de Michel Temer. As informações foram divulgadas pelo jornal Estado de S. Paulo.

Leia também:

No depoimento à CPI da Covid no Senado, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) afirmou que Bolsonaro citou o nome de Barros quando foi informado pelo parlamentar e por seu irmão, no dia 20 de março, sobre irregularidades envolvendo o contrato de R$ 1,6 bilhão assinado pelo ministério com a Precisa Medicamentos para a compra de 20 milhões de doses da Covaxin. 

O empresário Francisco Maximiniano, dono da Precisa, também ganhou acesso a ministérios, ao BNDES e à embaixada do Brasil na Índia, no atual governo. O senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) teria sido o responsável por abrir as portas do BNDES para Maximiniano.

O dono da empresa Precisa, Francisco Maximiano, é o mesmo da Global Gestão em Saúde, alvo de uma investigação do Ministério Público Federal em Brasília por suspeita de improbidade administrativa na gestão de Ricardo Barros no Ministério da Saúde.

A Global recebeu cerca de R$ 20 milhões antecipados, em 2017, para a entrega de medicamentos para doenças raras ao SUS, o que nunca aconteceu.

Além do crescimento exponencial da Precisa sob a gestão Bolsonaro, chamou a atenção do mercado o fato atípico de uma empresa que não vendia imunizantes - até então todos os contratos eram sobre preservativos - entrar nesse negócio de uma hora para outra. Nesse caso, a Precisa fechou em fevereiro deste ano o contrato que prevê o envio de 20 milhões de doses da Covaxin, produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, ao Brasil.

Das seis vacinas compradas até agora pelo governo brasileiro, apenas a indiana foi negociada por meio de um intermediário que não vai produzir as doses. O Ministério Público Federal (MPF) apura indícios de crime na compra feita pelo Ministério da Saúde de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin. O governo do presidente Jair Bolsonaro comprou a vacina produzida pela farmacêutica indiana Bharat Biotech por um valor 1.000% maior do que o estimado pela própria empresa seis meses antes.

O contrato para a compra da Covaxin totalizou R$ 1,6 bilhão e foi firmado entre o Ministério da Saúde e a empresa Precisa, que representa o laboratório indiano no Brasil, durante a gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello.

A dose da Covaxin é a mais cara entre todas as que foram contratadas pelo Ministério da Saúde, e o processo de aquisição o mais célere de todos, apesar dos alertas sobre “dúvidas” em relação à eficácia, à segurança e ao preço da Covaxin.

Com Max no comando, a Precisa também assinou um contrato com o governo do Distrito Federal, de Ibaneis Rocha (MDB), aliado de primeira hora de Bolsonaro. A empresa é uma das investigadas na operação Falso Negativo, que apura a compra de milhares de testes rápidos de covid-19 com suspeitas de serem superfaturados e de baixa qualidade. O sobrepreço apontado pelos procuradores é de pelo menos R$ 18 milhões.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Luis Miranda disse também que seu irmão, Luis Ricardo Miranda, chefe do departamento de importação do ministério, vê indícios de operação "100% fraudulenta" para a compra de testes de covid.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos