Valorizado, Rodinei pode dar lucro ao Flamengo após renovação controversa

Diogo Dantas
·4 minuto de leitura

Entre as variadas histórias engraçadas atribuídas a Rodinei no Flamengo, está a origem das negociações com o Internacional, em 2019. Certa vez, o jogador chegou na academia do Ninho do Urubu afirmando ter recebido uma sondagem de um clube do sul do país:

"Vou lá falar com o homem que estão me querendo! Aí já renovam logo meu contrato!”. O “homem” era o técnico Abel Braga, que deixaria o Flamengo no meio do ano. Na ocasião, a diretoria rubro-negra já estava fechada com Rafinha, que chegaria em junho. Após cinco minutos de papo com Abel na sala do treinador, Rodinei voltou:

"Ele disse que não prende jogador e que eu posso ir", anunciou o lateral.

A cena levou todos os jogadores e funcionários presentes a caírem na risada, e foi tratada com bom humor pelo próprio Rodinei. Na ocasião, o jogador, hoje com 29 anos, tinha tido seu contrato renovado pelo Flamengo há um ano.

Risco de sair livre

Em 2018, o então diretor Carlos Noval decidiu que o clube compraria a outra metade dos direitos do atleta, cujo vínculo se encerraria em 2019, e estendeu a permanência até o fim de 2022, totalizando 100% dos direitos.

A movimentação de mercado foi criticada internamente pela nova direção, que assumiu o clube em 2019. Mas acabou por permitir que hoje o jogador possa dar lucro ao Flamengo, que investiu no total mais de R$ 8 milhões em Rodinei. Caso contrário, poderia sair livre.

Com a boa campanha pelo Inter, após ser emprestado para a temporada 2020, a ideia é vendê-lo para um clube de fora do Brasil na próxima janela de transferências. O empréstimo vai até maio, e se os gaúchos quiserem contar com o jogador em definitivo terão que pagar 4 milhões de euros - R$ 26 milhões.

Para escalá-lo amanhã, há multa de R$ 1 milhão. Que será quitada com ajuda de um torcedor ilustre. O retorno ao Flamengo, clube com o qual tem contrato, esta praticamente descartado pela diretoria.

- Não mudou. Eu fui bem claro na época de que não nos interessava. Até porque, isso foi discutido com o técnico da época. Hoje, temos outro técnico e em nenhum momento tratamos sobre este assunto. Só posso responder sobre isso um pouco mais na frente. Quando falei, foi embasado na parte tática e técnica que foi passada pelo técnico daquele momento - o vice de futebol Marcos Braz essa semana.

Inter não queria jogador

Mesmo tendo vivido no Flamengo uma rotulação por seu jeito de ser e até de jogar, Rodinei sempre foi visto como um jogador de bom custo-benefício e de grupo, que lidava bem com a pressão e as cobranças. Tanto que foi aprovado pelo técnico Eduardo Coudet quando o diretor Rodrigo Caetano tentou levá-lo.

No Internacional, porém, uma ala da diretoria se deixou levar pelos comentários e torceu o nariz para a aquisição. Rodinei não era nem a segunda opção na lista, mas era o nome possível no mercado com as características de força e velocidade desejadas.

– Não me incomodo com críticas. Todo mundo recebe. Tem gente que vai gostar, tem gente que não vai gostar. Tenho que mostrar meu valor em campo. Eu tenho personalidade. Estou quatro anos no Flamengo. Já fui vaiado, já fui aplaudido. Essa é minha profissão. É normal. Isso não me incomoda nenhum pouco. Quem quiser xingar, vai nas redes sociais me xingar. Não vai mudar nada. O que vai ter é chegar no horário, dar meu melhor para ajudar o Inter – garantiu Rodinei na sua apresentação.

Hoje, com 38 jogos pelo clube, Rodinei tem números defensivos importantes no esquema de Abel. Como por exemplo, 83,8% de acerto nos desarmes. Com ele, o Inter fez 13 jogos em sequência, com 10 vitórias dois empates e uma derrota. O que fez o técnico pedí-lo na seleção de Tite.

Antes do Inter, Rodinei já havia sido procurado por Santos e São Paulo, mas o Flamengo recusara a oferta. O jogador chegou ao Rio no início de 2016, levado pelo empresário Fernando Garcia, da Elenko Sports. O rompimento com a empresa foi conturbado e o agente viu o jogador como ingrato por tê-lo tirado do nada e o colocado na principal prateleira do futebol brasileiro. Hoje, Rodinei é agenciado pela empresa do lateral Rafinha, que negocia sua volta ao Flamengo.

Em alta, Rodinei teve início de carreira dramático comum a muitos jogadores. De Tatuí, interior de São Paulo, foi dispensado do Boa Esporte (MG) quando dava os primeiros passos, antes de começar na base do Avaí em 2011. Com contrato longo, foi emprestado para quatro clubes, entre eles o Corinthians, mas só teve sequência na Ponte Preta. Onde recebia parte dos salários do próprio agente, que também desembolsou um alto valor para liberá-lo do Avaí.