Vamos falar de dinheiro: países em desenvolvimento buscam detalhes financeiros na COP27

Policial na frente do centro de convenções da COP27, no Egito

Por Simon Jessop e Kate Abnett

SHARM EL-SHEIKH, Egito (Reuters) - As finanças ocuparam o centro das negociações climáticas da COP27 nesta quarta-feira, com especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) publicando uma lista de projetos no valor de 120 bilhões de dólares que os investidores poderiam assegurar para ajudar os países mais pobres a reduzir as emissões e se adaptar aos impactos do aquecimento global.

Um projeto de transferência de água de 3 bilhões de dólares entre Lesoto e Botsuana e um plano de 10 milhões de dólares para melhorar o sistema público de água nas Ilhas Maurício estavam entre dezenas de projetos listados, incluindo 19 na África.

"Agora podemos mostrar que existe um fluxo significativo de oportunidades de investimento nas economias que mais precisam de financiamento", disse Mahmoud Mohieldin, um dos especialistas nomeados pela ONU, conhecidos como Campeões de Alto Nível da Mudança Climática da ONU, na nota que acompanha o relatório.

Em um esforço para responder ao argumento dos investidores do setor privado de que é muito arriscado apostar mais em mercados emergentes, os especialistas, que ajudam os governos anfitriões da COP a se envolverem com os negócios, reuniram uma lista de projetos que poderiam ser financiados mais rapidamente.

"Precisamos agora de uma colaboração criativa entre desenvolvedores de projetos e financiamento público, privado e concessionário, para liberar esse potencial de investimento e transformar ativos em fluxos", disse Mohieldin.

No entanto, outro relatório divulgado na terça-feira sugeriu que os países em desenvolvimento precisam garantir 1 trilhão de dólares em financiamento externo a cada ano até 2030, e depois combinar isso com seus próprios fundos, a fim de cumprir a meta mundial de evitar mudanças climáticas descontroladas.

Obter dinheiro para países de baixa e média renda para que eles possam construir infraestrutura, como usinas de energia renovável necessárias para substituir os combustíveis fósseis, tem sido um foco das negociações climáticas da ONU. Mas o progresso tem sido lento.

"Mesmo que o pipeline de projetos interessantes esteja lá, eles precisarão de ajuda técnica e financeira para chegar a uma posição em que possam atrair o tipo certo de financiamento", disse Nigel Topping, campeão de alto nível da COP26.

(Reportagem de Simon Jessop e Kate Abnett)

((Tradução Redação São Paulo, +55 11 5047-3075)) REUTERS FC