Vamos revisar todos os contratos da Prefeitura de Jaboticabal, diz eleito

MARCELO TOLEDO
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JABOTICABAL, SP (FOLHAPRESS) - Eleito em Jaboticabal (cidade a 342 km de São Paulo) neste domingo (15) com 17 pontos percentuais de vantagem em relação ao segundo colocado, o professor Emerson Camargo (Patriota), 41, disse que vai revisar todos os contratos da prefeitura. Entre os acordos na mira do prefeito eleito, está o do transporte coletivo, que foi retomado na última semana em caráter emergencial em decisão considerada por ele como eleitoreira. Além disso, ele afirma que entre as primeiras medidas de seu governo está reforçar o sistema médico da cidade devido à pandemia do novo coronavírus. Em sua terceira tentativa de chegar à prefeitura, Emerson ficou com 42,54% dos votos válidos (14.218), seguido pelo atual vice-prefeito, Vitorio de Simoni (MDB), com 24,76%; Professor João (DEM), com 18,32%; Baccarin (PT), com 10,37%; e Marcos Bolsonaro (PSL), que teve 4,01%. A retomada do transporte coletivo em caráter experimental, anunciada na última semana pelo prefeito José Carlos Hori (Cidadania), gerou críticas de oposicionistas, inclusive do eleito, que viram nela uma medida eleitoreira por ocorrer às vésperas da votação, o que foi negado pelo candidato Professor João, ex-secretário da Saúde e que tinha o apoio formal de Hori. Embora tenha recebido uma votação robusta, Emerson não terá maioria na Câmara Municipal: das 13 vagas, sua coligação formada por sete partidos conquistou 6, o que o obrigará a negociar acordos políticos para conseguir a aprovação dos projetos que pretende implementar na cidade do interior paulista. Em entrevista à reportagem, que fez cobertura integral das eleições na cidade, o futuro prefeito de Jaboticabal disse que será necessário atender às medidas emergenciais que a população precisa, principalmente em relação a emprego, saúde pública e falta d'água. * Pergunta - O prefeito José Carlos Hori recolocou os ônibus nas ruas em caráter experimental, com tarifa zero, como ele disse que pretendia fazer. Foi alvo de críticas, inclusive suas. Pretende manter os ônibus operando nesse sistema ou vai analisar, até revogar esse contrato? Emerson Camargo - Nós vamos fazer o seguinte, não só com o sistema do transporte, mas com todos os outros processos licitatórios que a prefeitura tem, fazer uma revisão. Nós temos de fazer uma revisão. Não dá para eu assumir uma casa já dando sequência no que ela tem, sem revisar os contratos. O que a gente quer é fazer a revisão [dos acordos], manter os serviços essenciais, melhorando o que o governo fez de bom, porque tem coisas boas que esse governo e outros realizaram. Algumas foram deixadas de lado e nós queremos retomar e outras nós queremos inovar e trazer a nossa cara, característica, personalidade. Fazer revisão até porque as pessoas estão necessitadas [de transporte coletivo]. As pessoas estão gastando quase 30% da sua renda em transporte, sendo que gastavam menos de 6%. Então isso já é algo que impacta muito na vida do munícipe. Quais das suas propostas apresentadas na campanha serão as primeiras a serem implementadas a partir de 1º de janeiro, quando o senhor assumir o comando da cidade? EC - Primeira coisa de tudo é fazer a contenção dos danos da pandemia, inclusive reforçar o sistema médico em Jaboticabal, sanitário, emergencial. [Outra é] já implantar os estudos para a instalação dos poços profundos [de água] aqui, para a gente poder verificar já quais pontos [são viáveis], o custo disso, a aquisição desse recurso. É necessário que façamos auditoria nas contas do município, não porque a gente quer fazer um programa de caça às bruxas, não é nada disso, mas é que não dá para assumir uma casa, um governo, sem termos uma noção real de tudo, uma vez que esse governo é situação para seus governistas e nós somos oposição. Temos de saber onde estamos pisando, em que terreno estamos colocando nossos pés. Outra medida que precisa fazer a avaliação é o impacto econômico que o município tem tido, uma vez que o auxílio emergencial para agora em dezembro. A gente espera que o presidente da República se consterne um pouco mais para que a partir de janeiro, fevereiro, amplie um pouco mais esse auxílio, até a retomada da economia. Sua coligação não conseguiu maioria na Câmara, o que era desejo para facilitar a aprovação de projetos. Como convencer vereadores eleitos pelos grupos oposicionistas a votar com o futuro governo? EC - Diálogo. Projeto transparente e honesto. Sentar com eles. Pretendemos sentar com os partidos e vereadores eleitos, fazer diálogo aberto com nossa equipe, nosso grupo de governo, até para que eles entendam que a partir de agora não tem nós e eles, o que tem é Jaboticabal. Somos todos nós. A partir daí, deixar um pouco o interesse partidário, de grupo, um pouco de lado. Não que ele não deva existir, mas entender que a cidade precisa agora de mãos dadas. A cidade está dividida e o que vamos fazer é unir a cidade. As eleições mostraram isso, foram muito acirradas, de ataques e contra-ataques. Nós não atacamos ninguém, mas fomos muito atacados, e o que a gente precisa agora é de uma política de união. A eleição deste ano teve menos votos nos candidatos que em 2016, 33 mil, ante 35 mil da eleição anterior. A que atribui isso? EC - As abstenções me preocupam porque a não participação da população nas urnas, no processo democrático, nos fragiliza também de alguma forma, fragiliza o processo [eleitoral] não só em Jaboticabal, mas também no Brasil de um modo geral e gostaríamos que a população participasse mais nesse sentido. A gente vai assumir a cidade com todos os problemas que ela tem e nossa preocupação é fazer o melhor, para não frustrar não apenas as pessoas que votaram, mas também aquelas que não votaram [na eleição]. Nossa realidade a partir de agora é começar o nosso planejamento antecipado para que, a partir de janeiro, as pessoas comecem a sentir os primeiros indícios, os primeiros sentimentos de uma mudança de fato na administração. Depois de ficar próximo à vitória em 2016, quando perdeu por 276 votos, você agora venceu com uma larga vantagem em relação ao segundo colocado. O que fez de diferente nesta campanha em relação à anterior? EC - Mantivemos a transparência, a ética, as mesmas convicções, princípios, não mudamos nada. Só apresentamos à população propostas. Nas eleições de 2016, recebemos menos ataques, nós não éramos assim tão evidentes numa corrida eleitoral, mas o fato de 2017 em diante nos colocarmos como possíveis candidatos, porque nunca se tem certeza, já éramos atacados e assediados ao mesmo tempo. De uma certa forma, mantivemos os princípios e convicções. É a primeira vez que uma dupla sai candidata perdendo as eleições anteriores na história do município [o vice é Nelsinho Gimenez]. O que nós mostramos com isso? Só neste ato mostramos credibilidade, confiança e que a cidade está acima de qualquer interesse particular ou partidário, mostramos que nosso objetivo é um ativismo político, é uma coletividade e não um corporativismo.