'Vamos sair da pandemia pagando mais juros', diz economista-chefe do Santander

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***FOTO DE ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF, 05.10.2016 - A economista-chefe do Santander, Ana Paula Vescovi. (Foto: Alan Marques/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF, 05.10.2016 - A economista-chefe do Santander, Ana Paula Vescovi. (Foto: Alan Marques/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O mundo deve sair desta pandemia pagando uma taxa de juros mais alta do que a atual, segundo a economista-chefe do Santander, Ana Paula Vescovi.

"Quem vai pagar essa conta? Isso depende de como serão endereçadas as políticas públicas em cada governo", afirmou a executiva, que participou na tarde desta segunda-feira (31) do Fórum de Investimentos Brasil 2021, promovido pela Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

Ana Paula chamou a atenção ainda para a questão inflacionária nos Estados Unidos, onde o governo está concedendo estímulos fiscais equivalentes a um quarto do PIB (Produto Interno Bruto).

"Há uma pressão grande sobre as commodities em todo o mundo, em especial as alimentícias, enquanto a abertura do mercado de trabalho varia nas diferentes economias, de acordo com a disponibilidade de vacina", afirma.

Para a executiva, o mundo vai sair mais desigual da pandemia. Ela destaca a piora na qualidade da educação no Brasil. "Há um desequilíbrio dentro do setor público contratado há vários anos", diz.

A fim de compensar a situação, o país não pode perder a oportunidade de crescer em segmentos-chave da infraestrutura, diz. "Temos o leilão 5G pela frente, que pode ser transformacional para a educação e para os processos".

A executiva, que participou do painel "O Mundo Pós-Pandêmico: riscos sistêmicos, desafios de governança e a nova normalidade", entrevê um ambiente econômico mais positivo no segundo semestre.

"Mas isso não tira a nossa responsabilidade de voltar com uma agenda de reformas", afirmou. Em especial, a tributária. "O Brasil tem o equivalente a 75% do PIB empenhados em causas tributárias", diz ela. "É preciso dar segurança jurídica a empreendedores e empresários".

BRF PREVÊ MAIS FÁBRICAS NO EXTERIOR

Presente ao evento, o presidente do frigorífico BRF, Lorival Luz, afirma que o agronegócio não deixou de crescer em meio à pandemia. "O Brasil tem papel de protagonista na indústria alimentícia", diz o executivo, lembrando que as projeções indicam 10 bilhões de habitantes no mundo até 2050. Hoje, são 7,8 bilhões.

Luz destaca a presença da BRF no mundo -120 países- e diz que planeja ir além. "Hoje temos fábricas em países como Emirados Árabes, Arábia Saudita e Turquia", diz ele. "Estamos buscando mais oportunidades de produção local na China, na Europa e nos Estados Unidos".

O executivo defende que o agronegócio brasileiro é sustentável e sério, não podendo ser confundido com uma minoria que está atrás do lucro fácil. "Com a tecnologia, atingimos um alto nível de eficiência e produtividade", diz. "Anos atrás, um projeto era decidido com base em uma planilha, que definia a taxa de retorno", afirma.

Agora, outros fatores entram na conta: quanto de água, energia e deslocamento ele envolve.

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