Das aulas no Capão Redondo à lição nas pistas, Vanessa dos Santos é promessa do atletismo brasileiro

Vanessa dos Santos (Foto: Wagner Carmo/CBAt)
Vanessa dos Santos (Foto: Wagner Carmo/CBAt)

Ela foi descoberta aos 12 anos pela professora de Educação Física Eliana Vanzolin. A menina Vanessa Sena dos Santos, nascida e criada no Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, um dos bairros mais humildes da periferia paulistana, explica que escolheu o atletismo porque se divertia praticando esportes. Ela se inspirou na velocista dos 100 e 200 metros Rosangela dos Santos - medalhista olímpica em Pequim 2008 -, atleta que nasceu nos EUA, mas foi criada no Rio de Janeiro.

No entanto, ao contrário de Rosangela, o sucesso veio na modalidade dos saltos (embora também dispute provas de velocidade). Treinada e preparada com todo zelo pelo técnico Alexandre Morato, a moça destaca como seu valor principal a humildade, mesmo entrando precocemente para a galeria dos jovens talentos e vencedores. A paulistana foi o destaque da terceira etapa do Campeonato Brasileiro Atletismo Sub-20, disputada em abril no Estádio do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, na Vila Clementino, zona sul da capital paulista. Ganhou na modalidade do salto em distância, com 6,35 m (0.3), novo recorde brasileiro sub-18, melhor marca mundial na categoria e terceira melhor do ranking da World Athletics Sub-20. Na sequência no Sul-americano de Rosário (Argentina), ela obteve a marca de 6,23 m.

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Estes feitos foram aos 16 anos, mas já cantava parabéns com bolo preparado pela mãe, a baiana dona Benivalda na comemoração dos 17 de idade. Antes disto, porém, deixou sua marca na Gymnasiade, uma das principais, senão a maior competição escolar do planeta. Aconteceu em maio na Normandia (França). O evento reuniu 3,4 mil estudantes de 69 países (faixa etária de 16 a 18 anos). O Brasil foi representado por 230 competidores e Vanessa levou ouro no salto em distância com a marca de 6,19 metros. Ainda competiu nos 200 metros, chegando em quarto lugar com o tempo de 24,77. Com bons resultados, ela já tem índices tanto nos 200 metros quanto no salto à disputa do mundial sub-20 de Cali (Colômbia) entre 2 e 7 de agosto. Para a atleta toda competição tem seu valor: elas servem de preparação. Sentiu por não competir no Pan-americano neste ínterim, pois foi cancelado.

Valorizar seus feitos sim, mas é o começo do sonho que visa os Jogos Olímpicos de Paris 2024 e a Diamond League (série anual de competições do atletismo disputada desde 2010). Ela procura exaltar grandiosamente sua origem. “Pra mim é muito gratificante poder estar levando o nome de onde eu nasci pra tão longe”. E no meu bairro tem outro atleta que já disputou competições internacionais (Davi Felix-Saltos). Ela dá duro e encara viagem de ônibus e metrô para chegar ao Centro Olímpico no Ibirapuera [local dos treinos na zona sul de São Paulo]. Sua vida é tão acelerada que afirma não ter tido tempo de outra coisa: a não ser treinar, embora também curse o ensino médio. Ela é o orgulho dos pais Benivalda, que trabalha como auxiliar de limpeza e o pai Valdir ajudante em sacolão. É o xodó como caçula dos genitores que têm vida extenuante e raras folgas.

A fama com muitas entrevistas deve ser encarada, segundo ela, com reserva. Diz isto por ser precocemente madura e evita tropeços no esporte. Sempre adota a mesma toada "do começo até o final da carreira", explica.

A seguir, bate-papo com a atleta sobre outros temas:

Yahoo Esportes – Quais dicas você dá a quem busca êxito no atletismo?

Vanessa dos Santos – Ter muita resiliência, e não desistir, porque por mais que algo demore, as oportunidades sempre chegam com a persistência

Você tem apoio de alguma entidade?

Ainda não tenho patrocinadores. A Nowone me beneficia com uma assistência médica. Recebo também ajuda da Prefeitura de São Paulo com o transporte para os treinos.

Você pretende seguir com outra atividade paralela ao atletismo, pois tudo é passageiro no Brasil?

Há uma possibilidade de eu fazer uma faculdade de fisioterapia, mas não tenho nada certo ainda.

Como você vê a importância dos jovens votarem?

Eu penso em votar, mas não consegui tirar meu título, pois meu começo de ano foi muito corrido (treinos e competições).

Você tem algum hobby?

Gosto muito de escutar música, pois vou todo dia para o treino ouvindo algo.

E sobre as mídias sociais? Usa Tik Tok, Instagram?

Busco sempre ficar atenta às redes sociais, mas costumo consumir muito os conteúdos.