Vantagem de Max Verstappen na temporada significa nova hegemonia na Fórmula 1?

Há um ano, a Fórmula 1 chegava a São Paulo sem campeão definido e seria palco de uma corrida fantástica que levou a decisão ao último GP da temporada. Neste fim de semana, a realidade no Brasil é outra: Max Verstappen já é bicampeão, após passear com seu RB18 no campeonato, favorito na prova e ainda pode ampliar o próprio recorde de vitórias no mesmo ano (14 até o momento). Diante do cenário, não há como fugir da seguinte indagação: a categoria está diante de uma nova hegemonia na década?

A esperada temporada das mudanças profundas na aerodinâmica e no regulamento técnico, que previam uma F1 com mais ultrapassagens nas pistas e equilíbrio na briga pelo título, não entregou tudo que prometeu.

As primeiras corridas até deixaram um gostinho de alta competitividade entre Red Bull e Ferrari, com os duelos envolvendo Verstappen e Charles Leclerc. Mas o sabor final foi laranja, com o holandês guiando um RB quase sem defeitos projetado por Adrian Newey.

Na opinião do ex-piloto e comentarista Luciano Burti, a Mercedes vai correr atrás do prejuízo para impedir a hegemonia da Red Bull. A equipe tem uma motivação extra: fazer Hamilton octacampeão mundial e maior vencedor de todos os tempos. O britânico tem contrato até o fim de 2023, mas já deixou no ar que pode continuar na F1 até depois dos 40 anos — ele tem 37.

—O bicampeonato do Verstappen foi muito merecido, mas não acredito numa longa hegemonia. A Mercedes foi mal esse ano e, claramente, desistiu deste ano para se concentrar mais cedo em 2023. O meu palpite é que será o último ano do Hamilton se ele vencer o campeonato. Tenho certeza de que a Mercedes vai voltar com força toda, e o Hamilton muito focado. A Ferrari teve lá seus méritos, apesar de tantas falhas, e também será competitiva ano que vem — diz Burti. — A história da F1 mostra que sempre teve domínio de equipes, como Lotus, Ferrari, McLaren, Williams, Red Bull e Mercedes.

Em 2023, algumas mudanças serão feitas no assoalho para diminuir os quiques dos carros. A Red Bull foi a equipe que melhor entendeu o regulamento e já preparou monopostos com efeitos mínimos na velocidade final e no equilíbrio.

Das equipes grandes, a Mercedes foi a que mais demorou a se entender com as novas regras. O chefão Toto Wolff admitiu que a escuderia perdeu meses de desenvolvimento até encontrar os erros no projeto que fizeram Lewis Hamilton deixar o GP de Baku, no Azerbaijão, com dormência nas costas por causa do excesso de quiques. Porém, nas duas últimas corridas, a evolução apareceu nos dois pódios do britânico.

Outro fator que pode pesar é o teto de gastos implementado ano passado no valor de 145 milhões de dólares (R$749 milhões na cotação atual). Este ano, a entidade reduziu em 5 milhões (R$25,8 milhões), mas houve reajuste de 3,1%.

Evolução das equipes

A Red Bull, inclusive, furou o teto de 2021, mas a FIA considerou a violação menor e sem ganho esportivo. Ainda que a limitação financeira valha para todas as equipes, com menos dinheiro não é possível fazer muitas mudanças ao longo da temporada. Um erro de projeto custa caro ser corrigido, e o caixa já pode estar estourado.

Entre as regras para trazer mais equilíbrio também está a divulgação da evolução das equipes corrida a corrida. Assim, os concorrentes sabem o que cada um está fazendo. Mas também é necessário mais investimento para tentar alcançar as inovações dos adversários, e, novamente, esbarra-se no teto de gastos.

— As regras mudaram para que, teoricamente, tivessem menos diferenças entre os carros. Mas temos que destacar que há lá na FIA cinco ou seis pessoas trabalhando nisso, e tem outras três mil pessoas nas equipes para achar brechas e desenvolver o carro — afirma o comentarista Felipe Giafonne. — Porém, acho que, no terceiro ano desse regulamento que vai até 2026, vai afunilando, e teremos um campeonato mais acirrado entre as equipes. Mas vai ser gradual. Ano que vem acredito que a Mercedes já vai se aproximar.