‘Vão sentir saudade da gente’, sussurra Bolsonaro a ministro antes de pronunciamento

Fala de Bolsonaro ao ministro da Casa Civil foi captada por microfones da imprensa antes de pronunciamento sobre derrota nas eleições. (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Fala de Bolsonaro ao ministro da Casa Civil foi captada por microfones da imprensa antes de pronunciamento sobre derrota nas eleições. (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

Antes de fazer o primeiro discurso após o resultado das eleições presidenciais em 2022, o presidente Jair Bolsonaro (PL) comentou para o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira: “vão sentir saudade da gente”. A fala foi captada pelos microfones dos profissionais da imprensa que aguardavam o mandatário.

Não fica claro a quem o governante se direcionava. Na sequência, ele põe os óculos e passa a ler o breve pronunciamento sobre a derrota nas urnas. Na fala de pouco mais de dois minutos, disse ter sido “rotulado de antidemocrático” e alegou ter atuado conforme a Constituição. O que seguirá fazendo enquanto for presidente da República, garantiu.

Bolsonaro não mencionou o nome de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que saiu vitorioso da disputa eleitoral. Ao se referir às manifestações que ocorrem em todo o país, por apoiadores, ele disse que aquelas que foram “pacíficas são bem-vindas” e atribuiu a queima de materiais e bloqueio de estradas a “métodos da esquerda”.

“As manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser os métodos da esquerda, que sempre prejudicaram a população, como invasão de propriedade, destruição de patrimônio e cerceamento do direito de ir e vir”, disse, após mais de 40 horas sem se manifestar sobre nenhum dos assuntos.

Bolsonaro também agradeceu pelos votos recebidos e afirmou que a “direita surgiu de verdade” no país. Lembrou sobre a formação de maioria no Congresso Nacional e as lideranças que alçaram cargos públicos pelo Brasil. “Nossos sonhos seguem mais vivos que nunca”, garantiu.

“É uma honra ser o líder de milhões de brasileiros que, como eu, defendem a liberdade econômica, a liberdade religiosa, a liberdade de opinião, a honestidade e as cores verde-amarela da nossa bandeira”, concluiu.