Varíola dos macacos ainda intriga cientistas

Desde o início o mês, a varíola dos macacos, causada pelo vírus monkeypox, tem se tornado uma preocupação mundial já que ao menos 16 países fora das regiões da África Central e Ocidental — onde o vírus é endêmico — registraram casos da doença. O patógeno, semelhante à varíola, que foi erradicada em 1980, embora mais raro e com quadros mais leves, costumava ser identificado nesses locais apenas em diagnósticos pontuais de pessoas que haviam viajado para o continente africano. Porém, pela primeira vez, uma série de nações relatam casos decorrentes de transmissão local, em um surto inesperado que não foi totalmente compreendido pela ciência ainda.

Os principais pontos que intrigam os especialistas são em relação à transmissão da doença, que até então era considerada limitada entre pessoas, e à identificação repentina de casos em todo o mundo, ao mesmo tempo. O cenário acende o alerta de autoridades de saúde, que monitoram de perto os casos que se multiplicam dia a dia. Ainda assim, especialistas ressaltam que a vacina para a varíola tradicional é até 85% eficaz para prevenir os casos da nova versão e que a doença não deve provocar uma situação de descontrole como a da Covid-19.

A principal pergunta que intriga os especialistas é por que o vírus está se comportando de maneira diferente daquela esperada. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a transmissão acontecia de forma esporádica em regiões específicas da África, e de animais para pessoas. A contaminação entre seres humanos, embora possível, era considerada “limitada”.

Especialistas sugerem que pode ter havido uma mutação. Pesquisadores de Portugal, onde já há mais de 30 casos detectados, sequenciaram nove genomas. Os resultados indicaram trocas de 50 bases nitrogenadas no código genético dos vírus, em comparação a amostras de 2018 e 2019. É “muito mais do que se esperaria considerando a taxa de substituição para orthopoxviruses”, dizem os cientistas.

A velocidade da transmissão e o perfil dos contaminados são outras questões que têm intrigado especialistas.

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