Varíola dos macacos: Nova York pede novo nome para doença; OMS sugere redução de parceiros sexuais

REUTERS - DADO RUVIC

Diante do surto de varíola, a OMS emitiu, nesta quarta-feira (27), um conselho claro ao grupo mais afetado pela doença - homens que fazem sexo com homens - para reduzir o número de parceiros sexuais. A melhor maneira de se proteger “é reduzir o risco de exposição” à doença, explicou o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, durante uma coletiva de imprensa em Genebra.

“Para os homens que fazem sexo com homens, isso também significa, no momento, reduzir o número de seus parceiros sexuais e trocar informações com qualquer novo parceiro para poder contatá-los” em caso de aparecimento de sintomas, para que eles podem se isolar, explicou Tedros, que acionou o mais alto nível de alerta de sua organização no último sábado (23), na tentativa de conter a doença.

Mais de 18 mil casos de varíola dos macacos foram detectados em todo o mundo desde o início de maio fora das áreas endêmicas da África. A doença foi relatada em 78 países até agora, 70% dos casos estão concentrados na Europa e 25% nas Américas, informou o chefe da OMS.

Cinco pessoas morreram da doença - todas na África - e cerca de 10% dos casos exigem internação hospitalar para tentar aliviar a dor dos pacientes. "Esta mensagem de redução do número de parceiros vem das próprias comunidades", explicou Andy Seale, responsável na OMS por levar a mensagem à população que agora é quase exclusivamente afetada: a dos homens, principalmente jovens, que mantêm relações sexuais com homens e, em especial, aqueles que têm diversos parceiros.

Seale reconhece que esse tipo de recomendação não pode ser eficaz por um longo período e também que deve ser acompanhada de informações precisas sobre os sintomas, exames e fácil acesso a um médico, em caso de dúvida, para se isolar o mais rápido possível.

Renomear a varíola

Atualmente, a varíola dos macacos não é considerada uma doença apenas sexualmente transmissível e qualquer pessoa pode contraí-la. O contato direto com a pele contaminada, mas também lençóis ou roupas infectadas são vetores de transmissão da doença.

A OMS também enfatiza fortemente a necessidade de evitar qualquer estigmatização de uma comunidade específica, o que poderia levar seus membros a esconder a doença, não procurar tratamento e continuar a disseminá-la.

Foi exatamente o risco de estigmatização e de omissão de casos que levou a cidade de Nova York a pedir, nesta terça-feira (26), à OMS que renomeasse a varíola dos macacos (monkeypox, em inglês). “Estamos cada vez mais preocupados com os efeitos potencialmente devastadores e estigmatizantes que as mensagens sobre o vírus da varíola possam ter em uma comunidade já vulnerável”, escreve o comissário de Saúde da cidade, Ashwin Vasan, em uma carta a Tedros Ghebreyesus.

O diretor da OMS também havia mencionado essa possível mudança em meados de junho, o que Vasan lembra em sua carta. Para o comissário de Saúde de NY, essa “terminologia” também está “enraizada em uma história racista e dolorosa para as comunidades de cor”.

Mais de mil casos em NY

No texto, ele lembra os efeitos negativos de informações falsas durante o surgimento do vírus da AIDS (HIV) ou do racismo sofrido pelas comunidades asiáticas após a pandemia de Covid-19, que o então presidente dos EUA, Donald Trump, descreveu como "vírus chinês".

"Continuar a usar o termo varíola dos macacos para descrever o surto atual pode reascender esses sentimentos traumáticos de racismo e estigma - especialmente para negros e outras pessoas de cor, bem como para membros de comunidades LGBTQIA +, e eles podem vir a evitar de usar serviços essenciais de assistência médica por esse motivo”, acrescenta Ashwin Vasan.

Nova York é a cidade mais afetada nos Estados Unidos em número de casos, com 1.092 contaminações detectadas desde o início da epidemia.

(Com informações da AFP)

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