Varíola dos macacos: o que muda com o primeiro caso confirmado no Brasil?

Desde o início de maio, ao menos mil casos da varíola dos macacos foram identificados em 29 países onde a doença não é endêmica, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, quase uma dezena de suspeitas já foram registradas, e nesta quarta-feira o primeiro diagnóstico foi confirmado na cidade de São Paulo: um homem de 41 anos que retornou da Espanha. O avanço da infecção causada pelo vírus monkeypox em todos os continentes, e a transmissão local inédita nesses lugares, preocupa especialistas, que pedem cautela. Mas o que muda, de fato, com a chegada da doença ao Brasil?

Detecção da doença: Fiocruz produz em tempo recorde insumos para testes da varíola dos macacos

Síndrome de Ménière: Além do padre Fábio de Melo, veja outros cinco famosos que tratam a doença

Causa da esquizofrenia: Novas evidências apontam que doença pode ter uma causa autoimune

Em maio, o Ministério da Saúde já tornou obrigatória a notificação de todos os casos suspeitos da doença em até 24h para acelerar o monitoramento do cenário epidemiológico no país. Além disso, montou uma sala de situação para traçar "um plano de ação para o rastreamento de casos suspeitos e na definição do diagnóstico clínico e laboratorial para a doença".

Ainda não há uma declaração oficial da pasta sobre recomendações para a prevenção da doença. Porém, no fim do mês passado, a Anvisa reforçou práticas para serem adotadas em aeroportos e aeronaves, uma vez que são locais fechados com pouco espaço entre as pessoas – e que podem estar retornando de países com incidência maior da varíola. São elas o uso de máscaras, o distanciamento físico “sempre que possível” e a higienização frequente das mãos.

Treino de 7 minutos: Aprenda a fazer um treinamento completo com apenas uma cadeira; veja exercícios

Além disso, em entrevista ao GLOBO, o infectologista Julio Croda, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), defendeu que o mais importante agora é garantir o rastreamento de todos os contatos de pessoas infectadas para impedir a cadeia de contágio.

A estratégia faz parte de uma série de recomendações elaboradas recentemente pela Anvisa para as unidades de saúde do país. Entre as medidas, o órgão pede o isolamento de pacientes suspeitos de infecção e o uso de máscaras por quem teve contato com eles. No caso de profissionais de saúde, há ainda a orientação para uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) completo, higienização das mãos, desinfecção de instrumentos médicos e limpeza de superfícies em ambiente hospitalar.

Resultado de novo estudo: Remédio para diabetes reduz 21% do peso e é saudado como um divisor de águas na luta contra a obesidade

Em caso de sintomas, os especialistas orientam a busca pelo serviço médico o mais rápido possível, assim como na situação de contato com pessoas sintomáticas. O período de incubação do vírus é longo, geralmente de 6 a 13 dias, mas podendo variar de 5 a 21 dias, segundo a OMS, o que pode levar a uma demora para o surgimento dos sinais.

Os sintomas são febre, dor de cabeça, dores musculares e erupções na pele (lesões) como bolhas que começam no rosto e se espalham para o resto do corpo, principalmente as mãos e os pés. A doença costuma apresentar um quadro leve, e as manifestações desaparecem sozinhas dentro de duas a três semanas.

Nova onda de Covid: Altas de casos e internações atingem pelo menos 6 estados e DF

Cenário é de cautela, mas nova pandemia é ‘improvável’

Muitas pessoas temem que a disseminação do vírus monkeypox possa ser o início de uma nova pandemia, como foi com o Sars-CoV-2, agente causador da Covid-19. No entanto, especialistas ressaltam que a transmissibilidade da varíola dos macacos é muito menor, além de ter registros de letalidade mais baixa.

Nesta quarta-feira, a OMS destacou que não houve até agora mortes entre os mais de mil casos da doença pelo mundo. Em outra ocasião, a líder técnica para varíola do Programa de Emergências em Saúde da organização já havia afirmado ser improvável que o vírus provoque uma pandemia.

Além disso, o que levou o novo coronavírus a se espalhar pelo mundo de forma tão rápida foi sua alta taxa de contágio. Isso porque sua transmissão acontece pelas vias respiratórias, bastando uma pessoa contaminada sem máscara estar no mesmo ambiente que outras para que o patógeno cause novas infecções.

AVC em youtuber aos 32 anos: Por que os casos da doença crescem entre os jovens?

No caso da varíola dos macacos, a OMS ressalta que o contágio entre pessoas é raro e acontece principalmente por contato com as lesões causadas na pele, como bolhas, e fluidos corporais. A via respiratória também é uma meio de entrada para o vírus, porém sendo necessário um contato próximo e prolongado para isso, causa da menor disseminação. As formas, portanto, englobam o contato íntimo, com uma série de registros sendo associados a estabelecimentos destinados a encontros para o sexo. Por isso, a OMS alerta para que pessoas com muitos parceiros sexuais estejam atentas aos sintomas.

A varíola dos macacos é uma versão semelhante à varíola erradicada em 1980, embora mais rara, mais leve e com a transmissão entre pessoas mais difícil de acontecer. Dados mostram que os imunizantes utilizados para erradicar a varíola tradicional, em 1980, são até 85% eficazes contra essa versão, com lugares como o Reino Unido já aplicando o imunizante em contatos de pessoas contaminadas e profissionais da saúde.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos