Varíola dos macacos: OMS monitora primeira morte suspeita do surto mundial no Brasil; entenda os riscos da doença

Nesta segunda-feira, a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou que monitora um caso e um óbito suspeitos de varíola dos macacos, notificados durante o fim de semana. Se confirmada, a morte será a primeira entre os mais de mil registros da doença em países onde o vírus monkeypox não é endêmico – que começaram em maio. Em coletiva de imprensa nesta terça-feira, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o órgão monitora os relatos do Brasil.

— Até agora neste ano, 72 mortes foram relatadas em países anteriormente afetados (na África, onde a doença é endêmica), mas nenhuma foi relatada até agora nos países afetados pela primeira vez. A OMS está procurando verificar as notícias do Brasil de uma morte (possivelmente) relacionada à varíola dos macacos lá — disse o diretor-geral.

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Segundo nota da SES-MG, os dois possíveis diagnósticos da doença no estado não têm histórico de deslocamentos ou viagens ao exterior, além de não terem contatos com sintomas. As amostras dos pacientes foram enviadas para análise pelo Lacen Fundação Ezequiel Dias, em Belo Horizonte. O Brasil já confirmou dois casos da doença em São Paulo e um no Rio Grande do Sul, além de monitorar suspeitas em outros estados.

Na coletiva desta terça-feira, Tedros Adhanom disse que, neste ano, a OMS já identificou mais de 1.600 casos da varíola dos macacos e quase 1.500 suspeitos. A maioria proveniente de 32 países onde a doença não é endêmica, muitos com transmissão local do vírus monkeypox pela primeira vez.

— O surto global da varíola dos macacos é claramente incomum e preocupante. É por essa razão que decidi convocar o comitê de emergência, sob os regulamentos internacionais de saúde, na próxima semana, para avaliar se esse surto representa uma emergência de saúde pública de interesse internacional — afirmou o diretor-geral.

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O status de emergência internacional é hoje atribuído apenas à Covid-19 e à poliomielite. Em outras épocas, já foi decretado para diferentes doenças, como no caso do ebola, em 2014, e da gripe suína, em 2009.

Entenda os riscos da varíola dos macacos

Desde que o primeiro diagnóstico inesperado da varíola dos macacos foi identificado no Reino Unido, no início de maio, uma série de países passaram a registrar casos de pessoas infectadas.

A doença é uma versão semelhante à varíola erradicada em 1980, embora mais rara, mais leve e com a transmissão entre pessoas mais difícil de acontecer, segundo a OMS. Até então, ela era comum nos 11 países da África Central e Ocidental, onde é endêmica, com registros fora do continente africano normalmente associados a pessoas que viajaram para o local e retornaram contaminadas.

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Existem duas variantes conhecidas do vírus monkeypox, associadas à África Ocidental (West clade) e à África Central na região do Congo (Congo clade). A primeira, causa do surto atual, é mais leve, com taxa de mortalidade de cerca de 1%. Ainda assim, não foram registradas mortes até agora entre os mais de mil casos identificados em lugares não endêmicos.

Para a segunda variante, o índice é mais alto: de 10%. Porém, especialistas explicam que como trata-se de um diagnóstico até então restrito a lugares do continente africano, sabe-se pouco sobre o comportamento do vírus nos demais países.

Transmissão e sintomas

De modo diferente da que foi eliminada pelas vacinas em 1980 -- que infectava apenas humanos --, a varíola atual provocada pelo vírus monkeypox é uma zoonose silvestre, ou seja, uma doença que passa de animais, majoritariamente roedores, para pessoas.

A transmissão, portanto, costumava ser predominantemente pelo contato com esses animais portadores do patógeno, uma realidade diferente da que países vivem no surto atual, com contágio entre humanos. Porém, essa forma de disseminação entre pessoas, embora rara, já era conhecida. Ela acontece principalmente por contato com as lesões causadas na pele, como bolhas, e pelos fluidos corporais.

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Além disso, a OMS reconhece que a via respiratória também é uma meio de entrada para o vírus, mas sendo necessário um contato próximo e prolongado, motivo para a transmissibilidade considerada mais baixa do agente.

As formas de contaminação, portanto, englobam o contato íntimo, com uma série de registros sendo associados a estabelecimentos destinados a encontros para o sexo. Por isso, a OMS alerta para que pessoas com muitos parceiros sexuais estejam atentas aos sintomas.

São eles febre, dor de cabeça, dores musculares e erupções na pele (lesões) como bolhas que começam no rosto e se espalham para o resto do corpo, principalmente as mãos e os pés. A doença costuma apresentar um quadro leve, e as manifestações desaparecem sozinhas dentro de duas a três semanas.

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Em caso de sintomas, os especialistas orientam a busca pelo serviço médico o mais rápido possível, assim como na situação de contato com pessoas sintomáticas. O período de incubação do vírus é longo, geralmente de 6 a 13 dias, mas podendo variar de 5 a 21 dias, segundo a OMS, o que pode levar a uma demora para o surgimento dos sinais.

Além de evitar contato com contaminados, usar máscaras em situações de risco e manter uma boa higienização das mãos, os dados da OMS mostram que os imunizantes utilizados para erradicar a varíola tradicional, em 1980, são até 85% eficazes em prevenir essa versão. Em alguns países, como o Reino Unido, o imunizante já está sendo oferecido a contatos de pessoas contaminadas e profissionais da saúde. Nesta terça-feira, a União Europeia anunciou a compra de 100 mil doses para as nações do bloco.

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