Varejo no Brasil cresce em maio pelo 2º mês, mas fica abaixo do esperado

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Rua no Rio de Janeiro

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - As vendas varejistas no Brasil subiram em maio pelo segundo mês seguido em meio ao afrouxamento de medidas de restrição contra a Covid-19 e, embora o resultado tenha ficado abaixo do esperado, o setor permanece acima do patamar pré-pandemia.

O mês de maio registrou avanço de 1,4% nas vendas no varejo em comparação com abril, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O dado mensal informado nesta quarta-feira ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 2,4%, mas o resultado de abril foi revisado com força, para uma alta de 4,9% ante taxa de 1,8% informada antes.

O IBGE destacou que essa revisão se deveu à aplicação do algoritmo de dessazonalização, que busca calibrar os efeitos sazonais.

Com isso, o setor varejista brasileiro está 3,9% acima do patamar pré-pandemia depois do resultado de maio.

“O comércio tem uma recuperação gradual mas ainda desigual da atividade", destacou o gerente da pesquisa, Cristiano Santos. "Esses dois meses de alta do comércio têm por trás fenômenos como a retomada do auxílio emergencial e um efeito base, já que houve quedas no começo do ano."

“Outra explicação pode ser a menor influência da Covid na rotina das empresas, por conta medidas de isolamento“, completou.

Já em relação ao mesmo mês de 2020 as vendas tiveram ganho de 16,0%, contra expectativa de alta de 16,5%.

Segundo os dados, o mês de maio teve alta disseminada entre as atividades pesquisadas, com apenas uma registrando perdas.

A maior variação foi registrada em tecidos, vestuário e calçados, de 16,8%, seguida de combustíveis e lubrificantes (6,9%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (6,7%).

Livros, jornais, revistas e papelaria (1,4%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (3,3%), hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,0%) e móveis e eletrodomésticos (0,6%) foram as outras atividades que apresentaram aumento das vendas em maio.

“Esses setores vêm de trajetórias diferentes. A atividade de tecidos, vestuário e calçados, que teve a maior variação, já havia crescido 6,2% (em abril), mas ainda está muito abaixo do que estava antes da pandemia", explicou o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, lembrando que houve queda em março.

"Então é uma recuperação, mas em cima de uma base de comparação muito baixa”, afirma o gerente da pesquisa, Cristiano Santos.

A única atividade a ter queda no volume de vendas em maio foi a de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, de 1,4%.

“Tanto essa atividade quanto a de hiper e supermercados foram atingidas de forma diferente pelos efeitos da pandemia. Ambas foram consideradas atividades essenciais e não tiveram suas lojas físicas fechadas. Isso dá um caráter distinto em relação aos outros setores”, completou Santos.

As vendas do comércio varejista ampliado tiveram crescimento de 3,8% em maio sobre abril, com aumento tanto em veículos, motos, partes e peças (1,0%) quanto em material de construção (5,0%), no segundo mês seguido de ganhos.

“Esse aumento foi puxado principalmente pelo setor de veículos, que tem uma base de comparação muito baixa e também não está nos patamares pré-pandemia", disse Santos.

O setor busca engatar com força a recuperação depois dos danos causados pelas medidas de isolamento contra o coronavírus, em um ambiente ainda de inflação alta e desemprego elevado no país. As apostas giram em torno do andamento da vacinação.

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