Vargas Llosa espera que Presidência de Petro na Colômbia seja 'apenas um acidente'

O escritor hispano-peruano Mario Vargas Llosa felicitou nesta segunda-feira Gustavo Petro, que, após sua vitória no domingo, será o primeiro presidente de esquerda da Colômbia. O ganhador do Nobel de Literatura de 2010, no entanto, expressou seu desejo de que o mandato do ex-guerrilheiro seja "um acidente emendável e corrigível".

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— Envio ao senhor Petro felicitações por sua vitória — disse Vargas Llosa, de 86 anos. — Que a Colômbia se mantenha dentro da estrita legalidade que tem caracterizado a História colombiana, e que seja apenas um acidente emendável e corrigível em um futuro mais ou menos imediato.

Segundo o escritor, se Petro "pretende, como pretendem alguns de seus partidários, eliminar essa legalidade, abre-se uma interrogação sobre o futuro da Colômbia". O presidente eleito, contudo, usou seu discurso de vitória para dar um aceno à conciliação, prometendo "desenvolver o capitalismo" e o diálogo com opositores.

Vargas Llosa, que tem posições liberais de direita em temas políticos e econômicos, é uma figura de destaque na vida política peruana, tendo sido candidato na eleição presidencial de 1990. Na época, ele terminou o primeiro turno à frente de Alberto Fujimori, mas foi derrotado pelo então outsider no segundo turno.

Nas eleições peruanas de 2011 e 2016, ele defendeu o voto nos adversários de Keiko Fujimori, os ex-presidentes Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczynski. No ano passado, contudo, apoiou Keiko, no segundo turno. A seu ver, a herdeira política de Fujimori, que deu o chamado autogolpe ao fechar o Congresso e governar por 10 anos, era o "mau menor" na disputa com Pedro Castillo, político de extrema esquerda que acabou se elegendo presidente.

No mês passado, o único escritor de língua espanhola ainda vivo a vencer o Nobel de Literatura afirmou que seria preferível a reeleição do presidente da República Jair Bolsonaro a uma vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições brasileiras de outubro:

— O caso de Bolsonaro é muito difícil. As palhaçadas de Bolsonaro são muito difíceis de admitir para um liberal. Agora, entre Bolsonaro e Lula, eu prefiro Bolsonaro de imediato. Mesmo com as palhaçadas, Bolsonaro não é Lula.

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Vargas Llosa discurso nesta segunda na abertura do XV Fórum Atlântico, organizado pela Fundação Internacional para a Liberdade, que ele mesmo preside. O atual presidente colombiano, Iván Duque, participou por videoconferência do evento que ocorre em Madri e foi questionado pelo escritor sobre a possibilidade de Petro apresentar riscos à legalidade:

— A primeira coisa a reconhecer, para defender a democracia, é quando há um pronunciamento popular — respondeu Duque, acrescentando que "claramente, os colombianos elegeram ontem um novo presidente". — Todos que assumimos a Presidência da República de nossas nações assumimos um enorme desafio, que é sempre nos pautarmos pela ordem constitucional e pela legalidade.

Vargas Llosa também parabenizou o candidato do conservador Partido Popular espanhol, Juanma Moreno, por sua vitória nas eleições regionais em Andaluzia, na Espanha. A vitória do político "que está muito próximo daquilo que defendemos", afirmou o ganhador do Nobel, "sem dúvida compensa essa eleição colombiana".

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