Variação de temperatura cobre as ruas do Rio com as folhas das amendoeiras

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Nos últimos dias, as ruas do Rio ganharam novas cores, aqueles tons amarelados e avermelhados que marcam o outono carioca. Pistas e calçadas têm amanhecido cobertas de folhas de amendoeira, compondo um cenário pouco comum nesta época. O inverno mais intenso, que fez com que os cariocas abusassem dos casacos neste ano, aliado a seca e ventania, mexeu com o ciclo das árvores e acelerou o processo que distingue as espécies do tipo caducifólia, cujas folhas caem em determinados períodos do ano.

O fenômeno natural, mais comum no outono, ocorre, por exemplo, em amendoeiras, ipês e flamboaiãs. O mesmo não acontece com oitis e paus-brasil, também frequentes em cidades litorâneas como o Rio.

— Como o inverno está forte, o fenômeno da caducifolia se intensificou. É como um mecanismo de descarte das folhas e da vinda de outras novas. Começou há uns 15 dias, e chegou ao ápice agora. Resulta de uma conjunção de fatores, como dias mais curtos, baixa umidade do ar e frio. Então, parte das plantas passa por essas adaptações naturais — explica o engenheiro florestal Salvador Sá, que estima que até a semana que vem o processo continuará pela cidade.

Um “tapete” cobria ontem a Praça Paris, na Glória. A paisagem se repetia no Parque do Flamengo e em quase toda a Zona Sul. As amendoeiras, que dominam o espaço urbano carioca, são as que mais perdem folhas. Seu plantio, a propósito, é proibido na cidade, por lei, desde 1994.

— A caducifolia intensa da amendoeira foi o motivo principal para a proibição do seu plantio. A quantidade grande de folhas nas ruas gera um transtorno para a drenagem da cidade, entupindo os bueiros. É um trabalho extra para a Comlurb. Se cair uma chuva mais forte, pode ser um problema — destaca Sá.

Outro efeito negativo da caducifolia, lembra o especialista, vem da espécie Sterculia foetida, conhecida como chichá-fedorento. A planta é usualmente confundida com o abricó de macaco, mas uma diferença entre as duas é evidente: o mau cheiro.

— Nesta época também temos o incômodo criado pela Sterculia foetida, cuja floração exala cheiro de carniça e fezes. Ela, que é natural da Índia e da Malásia, foi muito plantada em praças e ruas, principalmente nos anos 1970 e 1980, mais na Zona Norte e na Barra — explica Salvador Sá.

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