Variante corresponde a 83% das amostras de pacientes com Covid no Rio

Colaboradores Yahoo Notícias
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RIO DE JANEIRO, BRAZIL - MARCH 24: Health workers tend to a patient at the intensive care unit for patients infected with Covid-19 at the reference hospital Ronaldo Gazolla on March 24, 2021 in Rio de Janeiro, Brazil. According to data released by the Municipal Health Secretariat, the occupancy of ICU and infirmary beds in the state of Rio de Janeiro is above 93%. One day after registering for the first time over 3,000 deaths in just 24 hours, the official death toll in Brazil reached more than 300,000 deaths from Covid-19.(Photo by Buda Mendes/Getty Images)
RIO DE JANEIRO, BRAZIL - MARCH 24: Health workers tend to a patient at the intensive care unit for patients infected with Covid-19 at the reference hospital Ronaldo Gazolla on March 24, 2021 in Rio de Janeiro, Brazil. According to data released by the Municipal Health Secretariat, the occupancy of ICU and infirmary beds in the state of Rio de Janeiro is above 93%. One day after registering for the first time over 3,000 deaths in just 24 hours, the official death toll in Brazil reached more than 300,000 deaths from Covid-19.(Photo by Buda Mendes/Getty Images)

A nova variante do coronavírus, descoberta em Manaus e batizada de P1, corresponde a 83% das amostras de pacientes no Rio de Janeiro, desde o início de 2021. De 210 genomas colhidos no estado para análise nos laboratórios da Fiocruz ou Noel Nutels (Lacen-RJ), 176, foram identificados com a cepa mais contagiosa.

“O número de amostras identificadas nos ajuda a entender que há hoje uma variante que tem predominado nos testes nos últimos dias, que é a P1. Uma cepa que os dados indicam ter uma capacidade de transmissão maior que exige um trabalho contínuo de vigilância epidemiológica”, afirmou ao jornal O Globo o médico da Subsecretaria de Vigilância em Saúde da Secretaria estadual de Saúde, Alexandre Chieppe.

A prefeitura constatou que 183 casos dessas novas variantes analisadas por laboratórios de referência são de casos ocorridos na capital. Desses, 145 eram moradores do Rio de pelo menos 16 bairros diferentes, das zonas norte, sul e oeste.

Em 18 de fevereiro, o relatório mencionava três casos da variante; no dia 25, o número dobrou para seis; em 3 de março, 11; no dia 10, 42 casos; e no dia 18, 53. Até sexta-feira (26), o total chegava a 176 casos. Em 96% dos casos, a transmissão se deu de forma comunitária.

“Esses números cresceram muito. Isso mostra que temos a circulação da variante P1, como em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e inicialmente em Manaus. E ela já é muito predominante, a que mais circula, porque apareceu em 83% dos casos que foram verificados”, comentou o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, ao jornal O Globo.

No estado do Rio, segundo dados da Fiocruz, o número de pacientes detectados com a variante P1 subiu de 2, em janeiro, para 37 em fevereiro, um aumento de 1.750%. Com isso, a variante de Manaus já supera a incidência da mutação P2, de origem no próprio Rio e de transmissibilidade menor.

“O que estamos detectando a cada semana é um aumento crescente no número de testes positivos para a variante P1 entre as amostras analisadas. Com base nesses dados, a gente espera um aumento ainda maior da circulação da P1 nas próximas semanas aqui no Rio. Até por isso, a Secretaria municipal de Saúde está nesse esforço para tentar fechar vários setores da cidade, para que diminua a circulação dessa variante”, contou a O Globo a virologista e pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Marilda Siqueira.

Para detectar qual variante contaminou um paciente com Covid-19, é necessário um teste de sequenciamento genético, feito apenas em laboratórios de referência. A pessoa infectada pela nova cepa, na absoluta maioria das vezes, não fica sabendo, ou sequer tem conhecimento que seu genoma foi testado, porque, segundo os cientistas, não há relevância clínica.

Chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e de Sarampo, que tem comandado as pesquisas genômicas na Fiocruz, Marilda acrescenta que a mutação é um fenômeno normal entre os vírus, que são micro-organismos que seguem um padrão evolutivo. Segundo ela, o desrespeito às recomendações de isolamento, por exemplo, podem contribuir para o surgimento de novas linhagens.

“As cepas mais recentes vão substituindo as mais antigas em circulação, e o vírus vai modificando seu genoma para ter uma eficiência maior e se preservar na natureza. Se continuarmos com essa alta transmissibilidade no Rio, a chance de aparecerem novas mutações mais contagiosas é grande”, disse a pesquisadora.