Varíola dos macacos: estudo sugere que mutação genética contribuiu com surto global

Varíola dos macacos era considerada endêmica a certos países africanos antes de surto. (Foto: GettyImages)
Varíola dos macacos era considerada endêmica a certos países africanos antes de surto. (Foto: GettyImages)
  • Pesquisa foi elaborada por cientistas da Universidade Livre de Berlim

  • Mundo já tem registro de 18 mil casos de varíola dos macacos em 78 países

  • Amostras foram comparadas com coletas anteriores

Um novo estudo mostrou que o vírus da varíola dos macacos sofreu mutações que o tornam mais resistente, o que poderia explicar sua rápida disseminação nos últimos meses. A pesquisa foi realizada na Universidade Livre de Berlim, na Alemanha.

A investigação revelou que o vírus recebeu vantagens de adaptação ao patógeno em meio ao surto mundial da doença. Ao redor do globo, já são 18 mil casos em 78 países, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) desta quarta-feira (27). Antes, a doença era considerada endêmica e presente apenas em alguns países africanos.

O estudo, elaborado por um grupo de pesquisadores sob a liderança do geneticista Terry Jones, do hospital, do hospital universitário Charité, em Berlim, recolheu amostras de 47 homens com idade entre 23 e 58 anos.

Estas amostras foram comparadas pelos cientistas com outros sequenciamentos realizados anteriormente, o qual tinha uma variante mais antiga da varíola dos macacos. Os pesquisadores identificaram genes duplicados e deletados no material genético de um dos pacientes e mais seis genes com mutações que levaram à mudança da estrutura da proteína.

Os cientistas explicam que há duas regiões de repetição terminal invertida (ITR) nos terminais do genoma onde a plasticidade do genoma está mais pronunciada. Isso pode explicar a rápida disseminação do vírus ao redor do globo.

“A modificação dessas regiões é considerada um mecanismo primário de adaptação rápida do ortopoxvírus após troca de hospedeiros, inclusive em casos humanos de MPXV na África central”, diz o estudo.

O estudo foi publicado pelo portal bioRxiv e está em etapa preliminar.

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