Vasco: incapacidade de criar chances de gols pode custar rebaixamento no Brasileiro

Bruno Marinho
·3 minuto de leitura

Há causas e causas que explicam a queda de um time à Série B. Existe o rebaixamento da defesa que entrega. O rebaixamento do time que não tem um matador para colocar a bola para dentro. Se o Vasco de Vanderlei Luxemburgo cair, será o rebaixamento de uma equipe que não soube jogar no ataque. O time chega à penúltima rodada do Campeonato Brasileiro ameaçado de queda devido, principalmente, à sua incapacidade em criar chances de gol.

Uma análise dos números no Brasileirão revela com detalhes essa deficiência. O Vasco é o segundo time que menos finaliza a gol. Ainda assim, tem um dos artilheiros da competição. Germán Cano, com 13 gols, é um oásis em meio ao deserto. O atacante tem uma alta taxa de conversão de finalizações (23,2%), no mesmo patamar de dois destaques da competição, Claudinho e Marinho. Em outras palavras: o Vasco cria pouco e, para complicar, só quem finaliza bem é o argentino da camisa 14.

A não ser que tenha um problema de última hora, ele está confirmado para o jogo de domingo contra o Corinthians. Não se pode dizer o mesmo do camisa 10 Martín Benítez, com dores musculares que o tiraram dos treinamentos durante a semana. A tendência é que comece no banco de reservas na Neo Química Arena. Neste caso, Carlinhos deve ser titular.

A notícia é péssima para uma equipe que não sabe criar. O Vasco não tem jogadas de linha de fundo confiáveis, fruto de laterais e pontas que não funcionam. Isso é perceptível no número de cruzamentos certos. Ninguém cruzou pior do que o time da Colina no Brasileiro — apenas 3,3 bolas alçadas com sucesso na área por jogo.

Sem cruzamentos com qualidade, o time depende de tabelas, triangulações, passes em profundidade, lançamentos longos para criar condições para finalizar. Mas nada disso funciona bem. O Vasco é apenas o 15º time no quesito posse de bola no Campeonato Brasileiro (46,7%).

Quando a tem, prioriza o drible, a jogada individual, o improviso. Não é à toa que, mesmo com as carências, é a terceira equipe que mais dribla corretamente — 11,1 por partida, atrás apenas de Flamengo e Grêmio. É um dos poucos recursos que funciona.

Para o jogo de domingo, Vanderlei Luxemburgo tem feito mistério na escalação. Há dúvidas na defesa, no meio de campo — Andrey ou Leo Gil brigam por vaga—, e no ataque, onde só Cano está garantido. Podem completar o trio Talles Magno ou Ygor Catatau, pela esquerda, Yago Pikachu ou Juninho, pela direita, todos os quatro bons dribladores. O problema tem sido o que fazer com a bola em seguida.

Como não cria, seja com cruzamentos na área, seja com jogadas pelo meio, o Vasco ocupa pouco a grande área adversária. Um dos reflexos disso é o baixo número de pênaltis marcados a favor do time de São Januário. Apenas o Athletico teve menos faltas na área a favor durante todo o Brasileiro. No caso do Vasco, a quarta e última foi a cobrada para fora por Cano. Antes, o time havia convertido as três penalidades sofridas.

Durante todo o Campeonato Brasileiro, o Vasco adotou a postura de jogo reativa — mesmo nos primeiros resultados positivos do “ramonismo”, quando a equipe deu a falsa impressão que faria uma competição sem sustos. O fato de ter pouco a posse de bola, porém, não justifica a pouca criação de chances de gol. O melhor exemplo que desmonta a tese é o Ceará.

A equipe nordestina é quem tem o segundo menor tempo com a bola em média na Série A, apenas 43,6%. Entretanto, é a sexta melhor do Campeonato Brasileiro no número de grandes chances criadas. Em 12º lugar na tabela, provavelmente tem um dos melhores contra-ataques do Brasil.

O Vasco sempre se dispôs a jogar de forma parecida, de Ramon Menezes a Luxemburgo, passando pelo português Ricardo Sá Pinto. Mas faltou saber fazer essa transição rápida da defesa para o ataque.