Vasco supera Flamengo em número de sócios-torcerdores e passa a liderar ranking no Brasil

RIO — O Vasco superou o Flamengo e se tornou o clube brasileiro com o maior número de sócios-torcedores. O cruz-maltino atingiu a marca de 139.737 filiados ao programa na manhã desta segunda, ultrapassando os 139.718 sócios Rubro-Negros, segundo os sites dos clubes. A promoção para novas adesões no Gigante da Colina foi iniciada no úlitmo dia 25, quando a equipe criou a Black Friday, reduzindo em 50% o valor das mensalidades de dois planos — Plano Caldeirão: de R$24,98 por R$ 12,49 e Plano Caldeirão Mais: de R$69,98 por R$ 34,99.

Antes da campanha, o Vasco recebia aproximadamente R$ 1,3 milhão por meio do programa. Com o número de associados atual, quase 140 mil (até o fechamento da reportagem), o valor supera a casa dos R$ 3 milhões, o que já equivale a uma folha de pagamento do departamento de futebol. A campanha vai até o próximo domingo, e a expectativa do clube é chegar à marca de 150 mil, o que aumentaria ainda mais a receita.

Uma das pessoas por trás do sucesso da campanha de associação em massa do Vasco atende pelo nome de Eduardo Sá. Ele é o diretor do programa Gigante e, com apenas seis meses de clube, constata a capacidade de engajamento da torcida. Em entrevista ao GLOBO, ele explicou o projeto do clube para os associados.

Como o trabalho no programa de sócios começou?

Cheguei ao Vasco em junho. Quando comecei o trabalho em São Januário, o clube estava com 24 mil sócios-torcedores. Estabelecemos a meta, queríamos chegar aos 30 mil sócios no fim da temporada. Mas quando chegamos no fim de outubro, começo de novembro, já estávamos na casa dos 30 mil associados.

E essa promoção da Black Friday?

Começamos a trabalhar nessa campanha na virada de mês, de outubro para novembro. Hoje São Januário tem uma capacidade de 23 mil pessoas e cada vez mais o percentual de sócios-torcedores nos jogos aumenta. Sendo assim, miramos na meta de 45 mil sócios-torcedores ao fim da promoção. Achávamos que seria um número razoável. Mas a resposta da torcida foi algo que nunca vi na vida, a campanha ganhou uma pressão desproporcional com um engajamento enorme, popular, com uma cara que é a cara do Vasco.

E como reter esses torcedores após o desconto acabar?

Quando eu defini a campanha, desenhei mentalmente as estratégias de retenção para o ano que vem. Acredito que ainda não seja o momento de falar sobre isso. No dia seguinte ao fim campanha, temos de comemorar e reconhecer o empenho de cada um que ajudou na campanha e principalmente celebrar a torcida vascaína. Vamos celebrar o resultado. Temos funcionários que estão trabalhando das 7h às 23h, e ainda ajudando de casa. Cada funcionário do Vasco tem dado algo a mais para atender os vascaínos.

Como você vê as críticas das torcidas rivais ao preço do plano mais barato (R$ 4 na promoção)? Foi ele o que gerou mais adesões?

O que eu posso dizer é que não temos vergonha dos planos sociais. Damos a oportunidade para os torcedores de todas as classes sociais ajudarem o Vasco. Essa é a identidade do clube. E vale destacar, vamos estar doando 20% do que for arrecadado no plano Camisas Negras para instituições. E não, esse plano mais barato não é o que gerou mais adesões. A maior parte aconteceu no plano Caldeirão,que custa R$ 24,98 e na promoção sai por R$ 12,49.

Qual é o efeito dessa campanha para o clube? O marketing terá de crescer?

Tínhamos uma arrecadação de R$ 1,3 milhão por mês com sócio-torcedor. Posso dizer para você que com a quantidade de sócios atual, esse número mais que dobrou. Tenho uma projeção, mas vai depender do número final. Mas isso está mexendo com o ânimo de todos no clube, é de conhecimento da imprensa que o clube deve salários, mas agora a perspectiva é boa. Quanto ao marketing, vamos ter de nos adequar. Precisamos atender o sócio da melhor maneira. Vamos levar isso para o comitê de gestão.