Vasco: Talles Magno deixa dança e sorriso de lado, ambos sem culpa de 2020 em baixa

Bruno Marinho
·2 minuto de leitura

Talles Magno fez gol contra o Botafogo e não dançou. Na sua melhor atuação em um ano, acertou bela cabeçada e trocou os passinhos pelo semblante fechado, os dedos tampando os ouvidos, em um sinal de que não ouviu as críticas que recebeu durante todo 2020. Não é verdade. Ouviu tanto que fez questão de responder quando teve a chance.

No intervalo da partida, deu entrevista elogiando Vanderlei Luxemburgo, responsável por lançá-lo nos profissionais, aos 16 anos, e que agora tenta o recolocar novamente no caminho das melhores atuações. O que se viu do garoto em São Januário indica que o treinador está conseguindo.

— Não tenho o que falar do Vanderlei. Me subiu, sempre me ajudou em todos os momentos. Tem me animado. Tenho que agradecer muito a ele por cada esporro que ele me dá. Sei que é para o meu melhor — afirmou o camisa 11, sério.

Em junho, ele completará apenas dois anos como profissional. Depois do começo empolgante, sumiu em 2020 e foi cobrado na proporção da expectativa que criou em 2019. Neste domingo, ele reviveu o garoto alçado ao posto de uma das principais promessas do futebol brasileiro: driblou, passou, finalizou com perigo e fez seu gol de cabeça. Com 1,86m, pode fazer da jogada área um grande potencial em seu jogo. Se treinar o fundamento, a impulsão e o posicionamento na área, pode se transformar num exímio cabeceador.

Mas a dancinha, o sorriso fácil, podem voltar, não precisam necessariamente sumir como parte desse processo de evolução. Talles Magno é novo demais para se transformar em um jogador e uma pessoa amargurada, daquelas que encaram os feitos como se fossem sempre uma resposta a alguém. Obviamente, ele tem todo direito de canalizar seus esforços nos treinos e nos jogos, sua capacidade de concentração em campo, nos haters que eventualmente dão dor de cabeça nas redes sociais. Tem quem funcione bem à base da raiva.

Entretanto, da mesma forma que não foi o estilo moleque que o fez ser destaque no segundo semestre de 2019, não foi por dançar e sorrir que o atacante caiu de produção. Talles Magno sofreu lesões, recebeu novas obrigações táticas que o prejudicaram ofensivamente e que minaram demais sua autoestima, sua confiança em campo. Acima de tudo, oscilou em uma equipe bem abaixo do nível ideal para promessas serem lançadas. Os problemas culminaram com a perda da titullaridade na reta final do trabalho de Ricardo Sá Pinto.

No fim das contas, o que faz a diferença é o sentimento de dever cumprido, de que deixou tudo em campo e na semana de treinos — Vanderlei Luxemburgo, nas primeiras entrevistas neste retorno ao Vasco, sinalizou que o garoto teria passado por um período de certo deslumbramento na curta carreira. Acontece, vida que segue. No futebol, cada jogo é uma nova história e a comemoração do gol pode vir (ou não) como uma expressão própria, sem recados para ninguém.