Vasco vê no mecanismo de solidariedade chance de amenizar crise financeira

Bruno Marinho

O presidente Alexandre Campello tem enfatizado em entrevistas a necessidade de venda de jogadores — Talles Magno e Marrony são os favoritos para o clube fazer caixa e amenizar a crise financeira atual. Mas o Vasco tem outra alternativa para conseguir o dinheiro que tanto precisa para tirar a corda do pescoço ao longo da temporada 2020: o mecanismo de solidariedade como clube formador.

Philippe Coutinho, Paulinho e Douglas Luiz são três ativos indiretos do cruz-maltino no futebol europeu, que podem gerar aos cariocas bons milhões de reais a partir do meio do ano, quando a janela de transferências no Velho Continente realmente se aquece. Até lá, o clube terá de se virar.

Cada caso tem a sua peculiaridade. Coutinho está emprestado ao Bayern de Munique e já sinalizou em entrevistas na Alemanha que gostaria de permanecer por lá. Mas a imprensa alemã noticiou semana passada que o clube não comprá-lo. Se for negociado, para o Bayern ou outro clube qualquer, o Vasco tem direito a 2,25%. Na saída dele do Liverpool para o Barça, o clube da Colina levou cerca de R$ 12 milhões.

O valor permitiria o pagamento de duas folhas salariais. Contando funcionários e jogadores, ela está na casa dos R$ 5 milhões por mês. Mas, com o meia sem o mesmo status de antes, é difícil que o valor se repita.

Uma transferência de Paulinho no meio do ano também deve render ao Vasco algum dinheiro. O clube manteve 10% dos direitos do jogador quando o negociou, em 2018, e tem direito a 2% em uma transferência que tem boas chances de ocorrer. Sem oportunidades no Bayer Leverkusen, da Alemanha, a ideia é buscar outro clube na Europa. Um bom desempenho no Pré-Olímpico, na Colômbia, e nos Jogos de Tóquio podem revalorizá-lo.

Quem está em alta é Douglas Luiz. O volante do Aston Villa está na terceira temporada no futebol europeu — a primeira na Premier League —, e já conta com convocações para a seleção principal.

No caso dele, o Vasco tem direito a 2,25%. Não está descartada uma recompra do Manchester City, que foi quem o comprou do Vasco e vendeu depois para o Villa. Mas neste caso, como são dois clubes do mesmo país, o cruz-maltino não teria direito ao mecanismo de solidariedade.

Ativos menos cotados

Há outros dois jogadores no futebol europeu que podem render algo para o Vasco, mas em patamar inferior ao de Philippe Coutinho, Paulinho e Douglas Luiz. O volante Allan, do Napoli, há algumas temporadas ensaia uma transferência do clube italiano. Se for para outro país, o clube de São Januário terá direito a um percentual. O meia Evander está no Midtjylland, da Dinamarca, e tem sido cogitado no Galatasaray, da Turquia. Se sair, também renderá algo ao Vasco.

Outros bons nomes formados na base que estão no exterior são Alan Kardec, Alex Teixeira e Souza. Mas com os três na casa dos 30 anos, a probabilidade de ainda serem negociados é pequena.