Vasco volta a enfrentar o Londrina em São Januário, adversário no jogo de maior público da história do estádio

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Paulo Roberto Mello Cunha tinha 31 anos e estava na social de São Januário. Com a partida prestes a começar, uma coisa intrigava: o estádio já estava lotado, mas ainda assim não parava de brotar gente nova dos acessos à arquibancada. Não sabia que, do outro lado, portões haviam sido arrombados e torcedores invadiam se esquivando de bombas e cassetetes do batalhão de choque. Era dia de um Vasco x Londrina, assim como nesta quarta-feira, às 21h30, pela Série B do Brasileiro.

Durante o jogo de 43 anos atrás, valendo uma vaga na semifinal do Brasileiro de 1977, mas disputado em fevereiro de 1978, Paulo às vezes tirava a vista da bola e se perdia no espanto vindo da arquibancada. Havia tanta gente que pessoas eram ejetadas para cima, como um cravo exprimido da pele. De repente, o torcedor estava no alto, com os pés para o ar, sobre a cabeça dos outros. Em seguida, rolava arquibancada abaixo, desgovernado, até parar no alambrado.

Junto a ele, também não havia espaço sobrando. O aperto era tanto que pernas e braços eram projetados para o lado de fora das grades. Era onde muitas crianças e mulheres estavam. Quem passava mal era retirado pela polícia em uma operação arriscada: o agente tinha de subir o alambrado pelo lado do campo para socorrer quem precisasse.

— Sou rato de arquibancada, já viajei o Brasil atrás do Vasco, mas aquilo foi algo que nunca mais vi. A arquibancada parecia viva, se mexia, era a massa de gente, para lá e para cá — lembra o advogado, hoje com 74 anos, que também esteve no estádio na final da Copa João Havelange de 2000, cancelada e transferida para o Maracanã depois que uma parte do alambrado de São Januário cedeu, deixando torcedores feridos estendidos no gramado.

Paulo testemunhou o recorde de público na história de São Januário. Oficialmente, 40.200 pagantes, contra os 22 mil que cabem na Colina atualmente. O número de presentes naquela tarde de 1978 é impossível mensurar.

A superlotação durou até o começo do segundo tempo. O Vasco precisava vencer por dois gols de diferença e, quando o Londrina fez 2 a 0 (resultado final da partida), parte da torcida deixou o estádio.

Antes, São Januário estava tão cheio que invasores tomaram o parque aquático, assistiram do alto da plataforma de saltos ornamentais e do teto da capela à confusão que explodiu na arquibancada depois que a polícia foi conter os torcedores que arremessavam objetos no campo: o lateral-direito Orlando, do Vasco, teve o braço atingido por estilhaços de uma garrafa. Era um tempo em que jogadores e torcida não ficavam tão próximos quanto hoje: existia uma pista de atletismo separando a arquibancada do campo.

A derrota marcou tanto o Vasco que o clube foi logo atrás de um dos autores dos gols do Londrina. Carlos Alberto Garcia fez o segundo gol dos paranaenses e meses depois foi contratado pelo cruz-maltino. Não viu a cor de bola em São Januário e deixou o gosto amargo na torcida.

— Aquele cidadão não jogou nada no Vasco. Fez o gol para o Londrina e mais nada — lembra Paulo Roberto Mello Cunha.

Titulares voltam

Essa noite, a história é outra. São Januário não terá torcida devido à pandemia e as pretensões das equipes são bem menos nobres: o Vasco tenta retornar à elite, enquanto Londrina quer se manter na Série B.

Lisca terá o retorno de ao menos dois titulares: o lateral-direito Léo Matos e o meia Marquinhos Gabriel. Bruno Gomes também tem chances de atuar. O Vasco soma 28 pontos e está firme e forte na briga pelo acesso. Se derrotar o Londrina e dependendo de outros resultados da rodadas, os cariocas podem entrar no G-4.

Ricardo Graça e Lucão, campeões olímpicos, receberam homenagens do Vasco devido ao resultado alcançado em Tóquio. Os dois foram recebidos pelo presidente Jorge Salgado. O goleiro será titular hoje, uma vez que Vanderlei está suspenso.

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