Vaticano confirma reunião do papa com grande aiatolá xiita no Iraque

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O Papa Francisco segura o Livro Sagrado de Orações enquanto celebra a Missa pela Epifania em 6 de janeiro de 2021 na Basílica de São Pedro no Vaticano. O sumo pontífice deverá, em sua visita ao Iraque em março, realizar missas em Bagdá e no Curdistão Iraquiano.

O Vaticano confirmou, nesta segunda-feira (8), o encontro no Iraque entre o papa Francisco e o grande aiatolá Ali Sistani, a mais alta autoridade muçulmana xiita do país, na histórica viagem do pontífice prevista para 5 a 8 de março.

Segundo o programa oficial detalhado da viagem, publicado nesta segunda-feira pela Santa Sé, o papa argentino viajará de avião em 6 de março para a cidade sagrada de Nayaf, ao sul de Bagdá, para uma "visita de cortesia" ao grande aiatolá.

Sistani, de 90 anos e figura-chave da política iraquiana, não aparece em público, recebe poucas visitas e emite os sermões de orações de sexta-feira através de um de seus representantes.

O cardeal Louis Raphaël Sako, patriarca da Igreja católica caldeia do Iraque, revelou este encontro entre os dois líderes religiosos no final de janeiro.

Antes da publicação de seu programa oficial no Iraque, o papa Francisco expressou seu desejo de viajar novamente, em um longo discurso aos embaixadores na Santa Sé.

"Desejo retomar em breve as viagens apostólicas, começando pelo Iraque, previsto para o próximo mês de março", declarou, já que "costumam ser uma oportunidade favorável para aprofundar, em um espírito de troca e diálogo, a relação entre as diferentes religiões".

"Em nossa época, o diálogo interreligioso é um componente importante no encontro entre povos e culturas. Quando se entende não como uma renúncia à própria identidade, mas como uma oportunidade para um maior conhecimento e enriquecimento mútuo, este constitui uma boa ocasião para os líderes religiosos e para os fiéis das diversas crenças", continuou.

Em fevereiro de 2019, o papa Francisco assinou com o xeque Ahmed al-Tayeb, grande imã da instituição islâmica sunita Al-Azhar, sediada no Cairo, um "documento sobre a fraternidade humana", em Abu Dhabi.

Francisco foi então o primeiro chefe da Igreja Católica a pisar na Península Arábica, berço do Islã.

A viagem do papa ao Iraque pode, no entanto, ser cancelada devido à pandemia, mas também por um aumento da violência no país, abalado há 40 anos por conflitos quase ininterruptos.

Se a visita ocorrer conforme o previsto, o papa Francisco, já vacinado contra a covid-19, oficiará missas em uma catedral de Bagdá atacada em 2010 e em um estádio de Erbil, capital do Curdistão iraquiano, onde muitos cristãos buscaram abrigo ao fugir do grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

Também se reunirá com as autoridades políticas do país.

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