Vaticano defende suas críticas a projeto italiano contra homofobia

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Nesta foto de arquivo tirada em 8 de junho de 2019, participantes passam pelo monumento do Coliseu na capital italiana, Roma, durante a parada anual do Orgulho Gay

O braço direito do Papa Francisco explicou nesta quinta-feira (24) por que o Vaticano deseja a alteração de um projeto de lei italiano de combate à homofobia, citando o risco de "qualquer distinção entre homens e mulheres" se tornar ilegal.

"Somos contra qualquer atitude ou gesto de intolerância ou ódio contra as pessoas por causa de sua orientação sexual, etnia ou crenças", afirmou o secretário de Estado, Pietro Parolin, em entrevista ao site oficial do Vaticano.

Segundo ele, do ponto de vista da Igreja, o cerne do problema está em um texto em que "o conceito de discriminação ainda é muito vago", cabendo à Justiça interpretar e decidir o que constitui um crime. Em sua redação atual, o conceito de discriminação poderia "reagrupar os mais diversos comportamentos e, assim, tornar punível qualquer distinção possível entre homens e mulheres", explicou o cardeal Parolin.

Diante do Senado, o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, disse sob aplausos nesta quarta-feira que a Itália é "um estado laico" e seu Parlamento é soberano, em resposta às críticas do Vaticano. Na véspera, o jornal "Corriere della Sera" divulgou uma inusitada "nota verbal" que a diplomacia da Santa Sé enviou à Itália alegando que alguns pontos do projeto são contrários a um acordo bilateral.

O projeto de lei não isenta as escolas católicas italianas da obrigação de participar das atividades relacionadas ao dia nacional contra a homofobia, que será fixado em 17 de maio.

A Câmara dos Deputados aprovou em novembro o texto em debate no Senado sobre a luta “contra as discriminações e a violência em razão do sexo, gênero, orientação sexual, identidade de gênero e deficiência”.

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