Vaticano recua de exigência de vacinação de funcionários após críticas

Philip Pullella
·2 minuto de leitura
Geladeira usada para guardar vacina da Covid-19 da Pfizer/BioNTech no Vaticano

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O Vaticano procurou esclarecer nesta quinta-feira um decreto que sugere que funcionários poderiam perder o emprego caso se recusem a receber uma vacina contra Covid-19 sem razões de saúde legítimas, depois de receber críticas nas redes sociais.

Um decreto do cardeal Giuseppe Bertello, na prática o governador da Cidade do Vaticano, disse que tomar a vacina é a "escolha responsável" por causa do perigo de prejudicar outras pessoas.

A Cidade do Vaticano, o menor Estado do mundo, tem milhares de funcionários, a maioria dos quais mora na Itália. Seu programa de vacinação começou no mês passado, e o papa Francisco, de 84 anos, foi dos primeiros a receber a vacina.

O decreto diz que aqueles que não puderem ser vacinados por razões de saúde podem receber outro cargo, presumivelmente onde teriam contato com menos pessoas, mantendo o mesmo salário, mesmo que a nova função seja um rebaixamento.

Mas o mesmo documento disse que aqueles que se negarem sem uma razão suficiente estarão sujeitos a uma cláusula específica de uma lei de 2011 sobre direitos e deveres dos empregados.

Esta diz que os funcionários que recusarem "medidas preventivas" podem estar sujeitos a "graus variados de consequências que poderiam levar à demissão".

Após as reportagens desta quinta-feira sobre o decreto, muitos italianos usaram o Twitter para criticá-lo, e alguns disseram que contraria o apelo geral do papa Francisco por misericórdia.

Já na noite local desta quinta-feira, o escritório de Bertello emitiu um comunicado dizendo que "soluções alternativas" serão encontradas para aqueles que não querem receber a vacina.

O comunicado disse que a referência à cláusula da lei de 2011 que menciona especificamente a possibilidade de demissão não deveria ser vista como "penalizante ou punitiva" e que a "liberdade de escolha individual" será respeitada.

Francisco é um grande apoiador das vacinas para conter a disseminação do coronavírus, e o Vaticano tornou a vacinação contra Covid-19 obrigatória para os jornalistas que acompanharão o papa em sua viagem ao Iraque no mês que vem.

A Cidade do Vaticano teve menos de 30 casos de coronavírus até agora, a maioria entre membros da Guarda Suíça, que moram em alojamentos coletivos.