Vaticano sugere que países redirecionem despesas militares para melhorar saúde e combater pobreza

Philip Pullella
·1 minuto de leitura
Cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - A pandemia de coronavírus deveria fazer os governos perceberem que os gastos com defesa não podem garantir a segurança de suas populações e, ao invés disso, deveria incentivá-los a redirecionar recursos para melhorar a saúde e combater a pobreza, afirmou o Vaticano nesta terça-feira.

"A pandemia nos oferece uma oportunidade preciosa", disse o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano e número dois de sua hierarquia, em um seminário virtual sobre desarmamento.

"Ela (pandemia) nos leva a questionar quanto dos enormes dispêndios militares são realmente capazes de garantir a segurança de populações individuais, quanto destes recursos poderiam e deveriam ser alocados para investimentos para outros fins", acrescentou ele.

Parolin os listou como saúde, igualdade social e erradicação da pobreza, e também disse que este são "mais adequados para se alcançar o objetivo da segurança" do que os gastos militares.

O secretário foi uma das cerca de 20 autoridades, diplomatas, acadêmicos e líderes religiosos do Vaticano a participar do seminário virtual organizado pelo escritório de desenvolvimento do Vaticano e pela universidade Soas, de Londres.

Dan Plesch, diretor do Centro de Estudos Internacionais e Diplomacia da Soas, disse que contribuintes de todo o mundo gastam 2 trilhões de dólares por ano com atividades militares.

"A pandemia está abalando ainda mais um mundo já instável, onde o caos climático e a guerra competem pela honra dúbia de ser a ameaça mais perigosa", declarou Plesch.

(Por Philip Pullella)