Vaza Jato: Deltan Dallagnol usou movimentos sociais para pressionar STF e governo

Mensagens mostram que o procurador (foto) orientou ações de grupos como Vem Pra Rua e o Instituto Mude - Foto: AP Photo/Andre Penner

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Dallagnol agiu para influenciar na escolha do relator da Lava Jato e do novo Procurador Geral da República

  • -O procurador não se posicionava publicamente, mas guiava os grupos no Telegram

Nova reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil nesta segunda-feira (12) com base nos arquivos da Vaza Jato mostra que o procurador da República Deltan Dallagnol usou movimentos sociais para influenciar decisões políticas como a escolha do relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, após a morte do ministro Teori Zavascki, e a escolha do novo Procurador Geral da República pelo então presidente Michel Temer.

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Em conversas no aplicativo Telegram dias após a morte do ministro Teori Zavascki, o coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná diz ao líder do instituto Mude, Fabio Alex Oliveira, que nenhum dos outros ministros da Segunda Turma do STF seria bom para a relatoria. Movimentos como o Vem Pra Rua, um dos principais organizadores de marchas a favor do impeachment de Dilma Rousseff (PT), também pediram a Dallagnol orientações sobre o que fazer. Em resposta, ele recomendou que os integrantes dos grupos compartilhassem em suas redes sociais um artigo atacando os ministros da Segunda Turma escrito pelo jurista Luis Flávio Gomes, hoje deputado federal pelo PSB de São Paulo. As mensagens mostram, ainda, que a força-tarefa concordou em não se posicionar, mas a conduzir os movimentos, tomando cuidado para não aparecer.

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Após o sorteio que nomeou Fachin relator, Dallagnol comemorou o resultado: “Fachin foi coisa de Deus.” Com Alexandre de Moraes escolhido para a vaga de Zavascki no STF, ele passou a orientar os movimentos sociais sobre as posições do ministro em relação à prisão de réus após condenação em segunda instância. “Temos que reunir infos de que no passado apoiava a execução após julgamento de SEGUNDO grau e passar pros movimentos baterem nisso muito”, afirma o procurador. “Mostrar que a mudança beneficia Aécio e PSDbistas do partido a que vinculado.”

Assim que a Associação Nacional do Procuradores da República (ANPR) entregou a Michel Temer (MDB) a lista tríplice que sugere ao presidente os nomes para serem indicados ao cargo de Procurador Geral da República, em junho de 2017, Dallagnol entrou em contato com o primeiro nome da lista, Nicolao Dino, irmão do governador do Maranhão Flávio Dino (PCdoB): “Não conta pra ng, mas vou pedir pros movimentos sociais fazerem campanha pra ser nomeado o primeiro da lista.” No fim, Temer escolheu a segunda colocada, Raquel Dodge.

A reportagem mostra também que o procurador atuou com os movimentos sociais durante a votação do projeto de lei conhecido como 10 Medidas Contra a Corrupção. Procurado pelo The Intercept Brasil, o Instituto Mude – criado inicialmente para coletar assinaturas a favor do PL – afirmou que o contato “com o coordenador da maior operação de combate à corrupção já realizada no Brasil é natural.”