Vaza Jato: Procuradores planejaram investigar Gilmar Mendes, apontam mensagens

Mensagens indicam que os procuradores quiseram levantar provas contra Gilmar na Suíça. (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)

Novo vazamento de mensagens aponta que procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba (PR), buscaram coletar dados e provas sobre o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes na Suíça.

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As informações foram publicadas na tarde desta terça-feira (6) pelo portal El País Brasil, em parceria com o site The Intercept Brasil.

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O objetivo dos membros do MPF (Ministério Público Federal), segundo as mensagens, era tentar alegar uma possível suspeição do magistrado e até um impeachment. O elo para essas provas seria uma ligação entre Gilmar Mendes e Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, apontado como operador do PSDB.

Uma hipótese levantada pelos procuradores era de que Gilmar poderia aparecer como como beneficiário de contas e cartões que o operador mantinha na Suíça. “Vai que tem um para o Gilmar…hehehe”, diz o procurador Roberson Pozzobon no grupo, em referência aos cartões, segundo mensagens em um chat no grupo Filhos do Januário 4.

“Vc estara investigando ministro do supremo, robinho.. nao pode”, responde o procurador Athayde Ribeiro da Costa. “Ahhhaha”, escreve Pozzobon. “Não que estejamos procurando”, ironiza ele. “Mas vaaaai que”.

O chefe dos procuradores então reforça que o pedido à Suíça deveria ter um enfoque mais específico: “hummm acho que vale falar com os suíços sobre estratégia e eventualmente aditar pra pedir esse cartão em específico e outros vinculados à mesma conta”, escreve. “Talvez vejam lá como algo separado da conta e por isso não veio" (...) "Afinal diz respeito a OUTRA pessoa”.

OUTRO LADO

Por meio de nota enviada ao jornal El País Brasil, os procuradores da Lava Jato de Curitiba afirmaram que “não surgiu nas investigações nenhum indício de que cartões da conta de Paulo Vieira de Souza tenham sido emitidos em favor de qualquer autoridade sujeita a foro por prerrogativa de função”.

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“Qualquer ilação nesse sentido, por parte de quem for, seria mera especulação. (...) Em todos os casos em que há a identificação de pagamentos de vantagens indevidas e lavagem de ativos no exterior, o Ministério Público busca fazer o rastreamento do destino de todos os ativos ilícitos, para identificar os destinatários desconhecidos”, ressalta a nota enviada ao jornal.

TOFFOLI TAMBÉM ESTEVE NA MIRA

Mensagens reveladas na quinta-feira passada (1) já apontavam que o procurador Deltan Dallagnol incentivou outros procuradores de Brasília (DF) e Curitiba (PR) a investigar secretamente outro ministro do STF. Desta vez, Dias Toffoli, em 2016.

À época, o atual presidente do Supremo era visto por membros da Operação Lava Jato como alguém disposto a frear os avanços da investigação.