Vazamento de dados: Brasil é o país com mais informações roubadas de cartões

Letycia Cardoso
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Arquivo pessoal

RIO - Numa roda de amigos, é difícil encontrar alguém que nunca teve o cartão de crédito ou débito clonado. E na pandemia essa estatística se intensificou. De acordo com o Relatório Anual 2020 de Atividade Criminosa On-line no Brasil, elaborado pela empresa de cibersegurança Axur, em 2020, o país foi campeão em vazamentos de dados de cartões, acumulando sozinho 45,4% do total de casos registrados no mundo, distante do segundo colocado, os EUA (34,3%).

Ainda de acordo com o levantamento, dentre as dez instituições financeiras com maior número de vazamentos, sete são brasileiras. De acordo com o diretor executivo da Axur, Fábio Ramos, há razões principais para essa liderança do Brasil.

Além de uma população grande, com um número maior de potenciais vítimas, o país se destaca pela popularização de meios digitais.

— Com planos pré-pagos, ter um celular com internet se torna algo bastante acessível. Então, temos um grande público-alvo para esses ataques — analisa Ramos. — O brasileiro adora novidade, está aberto às tecnologias e confia mais. As pessoas clicam em links sem receios.

A maior parte das fraudes envolvendo cartões acontece na internet. O executivo da Axur acredita que a ausência de leis que punam com eficácia crimes digitais estimula criminosos. O designer Gabriel Studart, de 31 anos, foi vítima desse tipo de crime, mas por pouco não teve prejuízos:

— Logo no início da pandemia, tentaram fazer várias compras no meu cartão, num site de jogos, em um dia à tarde. Como nesse horário eu não costumo comprar nada, o próprio banco negou a transação e me ligou. Disse que não reconhecia a operação, e eles logo me enviaram um cartão novo.

Banco é responsável

Ramos, da Axur, diz que, em sua maioria, a clonagem ocorre por phishing, quando o consumidor é levado a entrar em um site falso e a inserir dados sem se dar conta do golpe. No entanto, a armadilha também pode estar em maquininhas de cartões em lojas, ele diz:

— Passam na máquina falsa, dizem que não deu certo. Depois passam na verdadeira, mas o cartão já foi clonado na primeira. Difícil perceber!

Ao ter o cartão clonado, o cliente pode exigir da instituição financeira o ressarcimento das compras que não reconhece. De acordo com o advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Igor Marchetti, o banco tem o dever de garantir a segurança de sua prestação de serviços:

— O ideal é que, ao perceber o vazamento, o consumidor procure imediatamente o banco e cancele a menção a esse pagamento, para que não conste nas próximas faturas. Mas, caso o valor já seja inscrito na fatura, poderá ocorrer o ressarcimento no próximo vencimento do cartão.

O prazo para que o banco avalie a fraude e dê resposta ao cliente é de cinco dias úteis. Marchetti diz que não é necessária a contratação de nenhum tipo de seguro referente ao cartão para garantir devolução em caso de fraude:

— O banco poderá se isentar de responsabilidade apenas nos casos em que ficar demonstrado que a culpa pela utilização do cartão foi exclusiva do consumidor. Assim, o seguro não é necessário. O cliente deve observar se há algo a mais na cobertura que justifique a contratação, como a possibilidade de resgatar valores adicionais mediante abertura de solicitação ou canal direto do serviço para cancelamento.

O que faz a vítima?

Depois que o cartão for clonado, deve-se agir rápido. Por isso, é recomendado que o cliente ative a opção de receber SMS no celular a cada compra feita. Assim, se houver fraude, poderá ser avisado de imediato. O advogado Vitor Boaventura, do escritório Ernesto Tzirulnik, aconselha registrar um boletim de ocorrência, além de comunicar o banco.

— Se tiver dificuldade na contestação da compra, procure o Procon do seu estado ou orientação jurídica. Em caso de inscrição indevida em cadastros de inadimplentes, há ainda o direito a reparação por dano moral — acrescenta.

Saiba como não se tornar vítima desse tipo de crime

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