Biden exige que Trump fale sobre o suposto pedido de investigação do filho do canditado democrta

Por Sebastian Smith
Presidente dos EUA, Donald Trump, em cerimônia na Casa Branca, em Washington, DC, em 20 de setembro de 2019

Um suposto pedido de Donald Trump para o presidente da Ucrânia denunciado por um agente de inteligência desencadeou um escândalo político nos Estados Unidos nesta sexta-feira (20), e foi descrito como "corrupção" pelo pré-candidato democrata à presidência Joe Biden.

Trump classificou como "ridículo" o vazamento de uma denúncia feita por um agente de segurança que teria acompanhado sua conversa por telefone com o novo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, na qual supostamente o teria pressionado para investigar o envolvimento de Hunter Biden, filho do pré-candidato democrata, numa companhia de gás que pertence a um empresário do país europeu.

As acusações deflagraram uma dura queda de braço com o Congresso, já que os líderes democratas exigem ter acesso aos documentos. Até agora, o Executivo se negou a entregá-los.

O assunto continua cercado de interrogações, mas, segundo o jornal "The Washington Post", os vazamentos apontam para um intercâmbio de informações com a Ucrânia.

"É ridículo", disse ele aos jornalistas, acrescentando que o vazamento é "partidarista".

Segundo Trump, as acusações são "outro desastre da imprensa".

"O que posso dizer é que foi uma conversa totalmente apropriada", disse o presidente, afirmando que "não houve nada de ruim" em suas declarações.

- Biden pede a transcrição da conversa -

Ao saber da denúncia, Biden, que é o favorito para vencer as primárias de seu partido para as eleições presidenciais de 2020, exigiu que Trump divulgue a transcrição do telefonema e classificou esse ato de "corrupção".

Trump "deve divulgar imediatamente a transcrição da chamada em questão para que o povo americano possa julgar por si próprio", disse o ex-vice-presidente do governo Barack Obama.

Ele também exigiu que o diretor nacional de inteligência "pare de obstruir" e revele ao Congresso a denúncia secreta sobre essa ligação.

"Uma corrupção tão clara danifica e diminui as instituições governamentais ao convertê-las em ferramentas pessoais de vingança política", afirmou Biden através de um comunicado.

- "Não obtivemos uma resposta" -

Nesta sexta, citando dois ex-funcionários não identificados, o "Post" informou que a ligação denunciada pelo membro dos serviços de Inteligência tinha como destinatário alguém na Ucrânia e que, durante a conversa, Trump fez uma "promessa" de algum tipo.

O inspetor de Inteligência dos Estados Unidos, Michael Atkinson, compareceu na quinta-feira ao poderoso Comitê de Inteligência da Câmara de Representantes, onde os democratas são maioria, para discutir a denúncia do informante. Declarou, porém, que não poderia fazer revelações sem autorização de seus superiores.

"Não obtivemos uma resposta, porque o Departamento de Justiça e o diretor de Inteligência Nacional (DNI) não permitiram que o inspetor Geral falasse conosco", disse à imprensa o presidente do Comitê, o democrata Adam Schiff, ao final de uma audiência de várias horas, realizada a portas fechadas.

O legislador democrata acrescentou que, sem o informe, não sabem se a matéria "é precisa, ou inexata". Ao mesmo tempo, o congressista ameaçou adotar ações legais, ou outros meios à disposição da comissão para obrigar o diretor de Inteligência Nacional a agir com maior transparência.

Trump se reunirá com o presidente da Ucrânia na próxima semana durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, informou Kiev nesta sexta-feira.

Biden é o favorito para a indicação do Partido Democrata para concorrer à Casa Branca. As pesquisas mostram que, em uma disputa com Trump, o ex-vice-presidente sairia vitorioso.