Veículo clandestino afunda em lagoa nos Lençóis Maranhenses

SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - Um veículo clandestino com turistas capotou nas dunas e afundou em uma lagoa na madrugada do último domingo (17) em uma área restrita do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, no Maranhão.

Os turistas entraram de forma ilegal no parque por meio de uma trilha e atravessaram parte do parque por cima das dunas do povoado de Atins até Santo Amaro (238 km de São Luís).

Em uma região conhecida como Rancharia, o condutor do veículo capotou ao atravessar uma duna e caiu dentro de uma das lagoas do parque. Não houve feridos.

O carro foi retirado da água nesta terça-feira (19). O ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), órgão ambiental ligado ao Ministério do Meio Ambiente e responsável pela gestão do parque, avalia os impactos ambientais causados pelo incidente.

Chefe do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, o Coronel Flávio Antônio da Silva de Jesus afirma que condutor deve ser multado e responder por crime ambiental. Uma analista ambiental do ICMBio esteve na lagoa nesta quarta-feira (20) para fazer uma perícia dos danos causados à lagoa.

"Como o veículo ficou submerso, há risco de vazamento de combustível e de óleo do motor. Os componentes eletrônicos e a bateria também podem causar danos. Pode levar anos para recuperar o ecossistema", afirma.

Com uma área de 150 mil hectares, equivalente à cidade de São Paulo, os Lençóis Maranhenses têm um ecossistema formado por dunas, lagoas de água doce, áreas de restinga e manguezais.

É um parque nacional desde 1981 e tem acesso restrito. Nas áreas mais primitivas, nenhum tipo de veículo automotor é permitido. Em outras áreas, entram apenas moradores de comunidades tradicionais da região e veículos credenciados para o transporte de turistas.

O parque tem uma equipe de 28 servidores, dos quais apenas três são fiscais responsáveis por evitar infrações em toda a área dos Lençóis Maranhenses.

O incidente acontece em meio a uma escalada de infrações com a entrada de veículos clandestinos no parque, conforme vem sendo denunciado por servidores e associações de motoristas credenciados.

Carros, quadriciclos, veículos do tipo UTV (espécie de híbrido de quadriciclo e carro) e até helicópteros acessam ilegalmente o parque, incluindo áreas de ecossistema mais sensível. Entre os donos de veículos, estão empresários que possuem casas na região.

Também foram registradas infrações como a entrada de bebidas alcoólicas, som automotivo e som portátil, que são proibidas no parque.

Em agosto do ano passado, o então chefe do parque José Ribamar Vieira Rodrigues foi exonerado após endurecer a fiscalização do tráfego de veículos clandestinos.

No mês anterior à exoneração, ele havia enviado uma nota técnica para as prefeituras das três cidades que abrigam o parque pedindo apoio para coibir a circulação dos veículos do tipo UTV nas chamadas zonas de amortecimento, que ficam no entorno da área de proteção.

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